Contas cambiais são positivas, mas não bastam para a retomada

Atraindo investidores para a infraestrutura, o Brasil ficará melhor e poderá adquirir fôlego para a retomada

O Estado de S. Paulo

25 Dezembro 2016 | 03h13

Os indicadores do balanço de pagamentos foram favoráveis em novembro, com atração de investimentos diretos (IEDs) no País de US$ 8,8 bilhões no mês e de US$ 63,6 bilhões neste ano, montante suficiente para financiar com folga os déficits de transações correntes de US$ 878 milhões e de US$ 17,8 bilhões nos mesmos períodos.

É importante que as contas cambiais confiram tranquilidade à gestão econômica, mas essa é apenas uma das condições para favorecer a retomada do ritmo de atividade – e não a principal.

O déficit corrente é o indicador mais relevante do estado das contas cambiais. Foi de apenas 1,2% do PIB nos últimos 12 meses, uma quarta parte do que era no início de 2015, mas tende a subir. É baixo neste ano porque o superávit comercial é alto, atingindo US$ 45 bilhões até 18/12. Com a melhora da economia, as importações deverão crescer e o saldo comercial será menor.

As despesas com serviços já crescem e crescerão mais em caso de retomada, com mais demanda de equipamentos, além de despesas de juros, lucros e dividendos. Os gastos com viagens também voltam a avançar, prevendo-se déficit de US$ 8,5 bilhões nessa conta em 2016 e de US$ 10,5 bilhões em 2017.

Um dos fatores de incerteza diz respeito à economia global, pois o comportamento do comércio é ruim. Se os Estados Unidos crescerem mais depressa, demandarão mais produtos e o Brasil terá espaço para elevar exportações, o que ajudará a recuperação. Mas juros mais altos nos Estados Unidos pressionarão a oferta e os custos do crédito externo.

Os investimentos diretos continuarão essenciais e o Banco Central conta com eles, estimando ingressos de US$ 75 bilhões em 2017, acima dos US$ 70 bilhões previstos para este ano.

O Brasil figura entre os seis países do mundo que mais atraem investimentos diretos, abaixo de China, Hong Kong e Estados Unidos e próximo de Reino Unido e Cingapura. Mas quando os valores são comparados ao PIB, são menos expressivos. O Chile, por exemplo, atraiu em 2015 investimentos de US$ 20 bilhões, mais de 8% do PIB de US$ 240 bilhões. No Brasil, o investimento direto correspondeu a 4,38% do PIB nos últimos 12 meses.

Atraindo investidores para a infraestrutura, o Brasil ficará melhor e poderá adquirir fôlego para a retomada.

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