Contexto internacional favorece a dívida externa

O estoque da dívida pública federal aumentou em agosto 1,04%, ficando equivalente a R$ 1,524 trilhão em dívida mobiliária interna e a R$ 93,5 bilhões em dívida externa. Enquanto a primeira cresceu 9% em oito meses, a segunda caiu 0,5% apenas por causa da valorização do real ante o dólar.

, O Estado de S.Paulo

25 Setembro 2010 | 00h00

Atualmente se dá preferência à dívida externa, que tem prazos maiores e juros nitidamente menores, o que nos leva a considerar o efeito que poderá ter uma desvalorização da moeda nacional nas contas do governo.

No caso da dívida interna, o custo calculado sobre 12 meses passou de 10,89%, em julho, para 11%, em agosto, enquanto baixava de 4,27% para 3,23%, no caso da dívida externa. O aumento no primeiro caso parece anormal, dado o contexto de uma economia próspera em que os juros bancários baixaram. Mesmo levando em conta que o prazo médio da dívida interna aumentou de 3,43 anos para 3,64 anos, temos aí uma anomalia que se parece explicar pela importância dos títulos prefixados na composição da dívida, que acarreta uma certa rigidez do seu custo.

No caso da dívida externa a redução se explica, de um lado, pela nova valorização do real e pelo peso que teve, em agosto, a colocação soberana de bônus no exterior a custos menores. Uma desvalorização do real mudaria essa situação, embora o custo externo permanecesse abaixo do interno, que continua a refletir os anos de hiperinflação e a dúvida em relação à evolução dos preços nos próximos meses, especialmente com um novo governo.

No estoque da dívida externa pública, equivalente a US$ 93,50 bilhões, convém notar que a dívida mobiliária (em que predomina a emissão soberana de bônus) representa 78,08% do total, enquanto a dívida contratada tem participação de 20,49%. É necessário lembrar que o setor privado recorreu, nos últimos meses, em grande escala à emissão de títulos no mercado internacional, aproveitando-se de condições favoráveis - o que está produzindo uma forte elevação da dívida externa bruta total, que reduz a força das reservas do Brasil de mais de US$ 270 bilhões.

Mais uma vez é necessário destacar a necessidade de reduzir os juros não pagos por meio de um aumento do superávit primário: em agosto as emissões líquidas foram de RS 3,28 bilhões, mas o estoque da dívida cresceu muito mais com a apropriação de R$ 13,45 bilhões de juros que aumentaram a dívida pública. Ora, o único jeito de reduzir a dívida é ter um superávit primário maior, e sem truques contábeis.

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