Corte de investimentos afeta o futuro

Entre dezembro de 2008 e maio de 2009, as previsões de investimento no setor secundário sofreram um corte de 26%, segundo levantamento feito pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) com 1.204 empresas, reproduzido pelo Estado no domingo (B1). Haverá, neste ano, impacto imediato na demanda industrial de máquinas, equipamentos, pessoal e instalações, mas também o risco futuro de pressões sobre a demanda de consumo, quando a economia voltar a crescer.Grandes empresas adiaram investimentos, como Gerdau, Suzano, Usiminas e Dow Química. A Vale, que anunciou redução de investimentos equivalente a R$ 10,5 bilhões (a empresa citou US$ 5,2 bilhões), não foi incluída nas contas da Fiesp.São várias - e previsíveis - as explicações para os cortes. Caiu a demanda final, a produção industrial sofreu retração de 14,6% entre os primeiros trimestres de 2008 e 2009 e foram ainda mais penalizadas as indústrias de bens de capital, que lideravam o crescimento. A formação bruta de capital, que chegou a representar 20,4% do PIB, em setembro de 2008, deverá voltar aos níveis de 2007 (17,5% do PIB), avalia o economista da Gávea Investimentos Armando Castelar.Na tentativa de reagir à queda da demanda, algumas empresas aprimoram a tecnologia e oferecem máquinas de última geração, como observou a repórter Renée Pereira numa feira do setor, em São Paulo, na semana passada.A estratégia poderá ser bem-sucedida em casos individuais. Mas é preciso bem mais para reanimar os investimentos. Carga tributária e custo do capital elevados, crédito escasso, burocracia excessiva e mecanismos deficientes de defesa comercial foram citados pela Fiesp, ao lado do câmbio (o real apreciou 7,5% em 30 dias, até sexta-feira).Em parte, a tarefa de remover obstáculos à produção cabe ao governo, que descuidou da infraestrutura de transportes, como rodovias e portos. Não há correspondência entre a elevada carga tributária e a contrapartida de serviços públicos de qualidade.A retomada dos investimentos dependerá, assim, de que o consumo interno cresça a ponto de reduzir a capacidade ociosa entre o fim de 2009 e o início de 2010. Este parece ser o cenário mais promissor, pois a intensidade da recessão nos países desenvolvidos continuará afetando o mercado externo, sobretudo as exportações de manufaturados e semimanufaturados, cujo recuo, neste ano, poderá ser o maior em três décadas.

, O Estadao de S.Paulo

26 de maio de 2009 | 00h00

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