Cotações altas do petróleo afetam o País

Política de reajuste dos preços dos derivados é tolerável numa conjuntura de inflação baixa, embora consumidores estejam reagindo aos preços e a venda de derivados tenha caído nos últimos meses

O Estado de S.Paulo

22 Maio 2018 | 04h00

O rompimento pelos Estados Unidos do acordo com o Irã sobre energia nuclear é o principal motivo para a alta acentuada dos preços do petróleo, segundo os analistas da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). A decisão norte-americana deverá afetar a oferta de petróleo do Irã, que hoje exporta 2,4 milhões de barris/dia, o dobro do que exportava antes do acordo nuclear.

Um segundo fator de queda da oferta é o recuo acentuado da produção da Venezuela, que já foi um dos maiores exportadores, mas desde 2017 importa petróleo, inclusive para enviar à aliada Cuba, segundo a agência de notícias Reuters.

O Relatório do Mercado do Petróleo de maio da Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês), um organismo da OCDE, notou que a alta das cotações da commodity nos mercados futuros já superava os US$ 10 o barril desde o início do ano e a demanda global segue firme.

A incerteza passou, assim, a dominar o mercado do petróleo, observam os especialistas da IEA, que preveem um período de aproximadamente 180 dias para que os consumidores ajustem suas políticas de aquisição do petróleo às circunstâncias. Os fundamentos do mercado se tornaram menos importantes do que os aspectos geopolíticos.

A economia global em crescimento pressiona a demanda e os preços do petróleo, o mesmo ocorrendo com preços dos derivados, pois as refinarias não estão dando conta de atender a toda a demanda. Estoques comerciais em declínio nos países da OCDE completam um quadro de incertezas sem data para ser corrigido e agravado pela persistência do frio que pressionou o consumo de óleo bruto.

O Brasil está em posição relativamente favorável no mercado do petróleo. A produção média deste ano deverá ser de 2,85 milhões de barris/dia (b/d), prevendo-se quase 3 milhões de b/d no último trimestre de 2018. As exportações brasileiras da commodity aumentam e ajudam o balanço de pagamentos. A política de reajuste quase diário dos preços dos derivados é tolerável numa conjuntura de inflação baixa, embora os consumidores estejam reagindo aos preços e a venda de derivados tenha caído nos últimos meses.

Mas a combinação de petróleo caro e real desvalorizado pode retardar um pouco mais a retomada econômica, já sujeita a incertezas.

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