Crédito difícil para as empresas

O governo previra para janeiro a normalização do crédito e uma redução da taxa de juros. A publicação, ontem, pelo Banco Central (BC), dos dados relativos às operações de crédito do sistema financeiro permite avaliar em que medida isso se deu.Realmente, o saldo das operações de crédito acusou crescimento de 0,2% em relação a dezembro, mas por causa do aumento de 1,1% do crédito direcionado, enquanto os recursos para crédito livre tiveram uma queda de 0,2%. Paralelamente, constata-se que as operações de crédito do sistema financeiro público aumentaram 0,9%, as do sistema privado, 0,2%, e as instituições estrangeiras reduziram suas operações em 1%.O volume das operações de crédito às pessoas jurídicas (PJs) apresentou redução de 1,9% em relação ao mês anterior, e as concessões acumuladas no mês tiveram redução de 24,6%. Para as pessoas físicas (PFs) os valores são de crescimento de 1,4% no volume e de 1,6% nas concessões.Verifica-se que as empresas sofreram forte redução de crédito, que o chefe do Departamento Econômico do BC (Depec), Altamir Lopes, considera sazonal. No entanto, no mesmo mês de 2008, o volume dos empréstimos a PJs havia aumentado 1,2%, enquanto as concessões haviam acusado queda de apenas 4,8%.Portanto, a variação "sazonal" foi bem mais intensa neste ano - em parte pela crise, mas também pelo custo do dinheiro (24,7% em janeiro de 2008; 31% neste ano), com um spread de 0,4 ponto porcentual (p.p.) maior.As PFs tiveram mais sorte: as taxas de juros para elas, de 55,1% ao ano, em média, acusaram em janeiro redução de 3%, e o spread, uma queda de 1,6 p.p. Porém nota-se que o saldo mais elevado das operações para as PFs é o do crédito pessoal (que inclui 54,7% de crédito consignado), com taxa de juros de 56,5% ao ano.O chefe do Depec reconhece que "a inadimplência não explodiu", o que explica a redução do spread para as PFs. Aliás, verifica-se que este ficou em 2% para as PJs e subiu de 7,1% para 8,3% para as PFs em um ano, o que, levando em conta o crescimento do crédito no período, não é anormal.Não é possível apurar se houve, em janeiro, uma transferência de recursos de crédito para as grandes empresas, pois os últimos dados disponíveis são de dezembro de 2008, e mostram que no ano passado os empréstimos que mais cresceram (57,1%) foram os de valores superiores a R$ 10 milhões.

, O Estadao de S.Paulo

27 de fevereiro de 2009 | 00h00

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