Crédito externo

O Banco Internacional de Compensações Internacionais (BIS, espécie de banco central (BC) dos bancos centrais) informou que o montante de recursos externos captados pelo Brasil nos primeiros três trimestres do ano passado atingiu US$ 70,8 bilhões, superando em 1.447% os US$ 4,5 bilhões que haviam sido captados no mesmo período de 2009. Os sinais da disposição dos investidores externos em relação ao País persistiram no trimestre passado e nas primeiras semanas de 2011, o que não quer dizer que se mantenha ao longo do ano. Ela se deveu à capacidade de reação do País à crise financeira mundial instalada a partir de fins de 2007 com as hipotecas subprime norte-americanas.

, O Estado de S.Paulo

05 Fevereiro 2011 | 00h00

Em 2007, o Brasil obteve captação recorde de US$ 49,6 bilhões. As empresas brasileiras suportaram bem a desaceleração de 2008/2009 e o Produto Interno Bruto cresceu muito em 2010, tornando o Brasil um dos poucos países a se recompor rapidamente após a crise.

Um exemplo das facilidades de acesso do Brasil ao mercado financeiro mundial foi registrado na última quinta-feira, quando a Petrobrás fez a maior colocação de dívida de uma empresa brasileira no mercado internacional: US$ 6 bilhões, em três tranches - títulos no montante de US$ 1 bilhão vencerão em 2016, rendendo 3,95% ao ano para os investidores US$ 2,5 bilhões, em 2021, com renda de 5,401% ao ano; e os restantes US$ 2,5 bilhões, com vencimento em 2041, pagarão juros de 6,806% ao ano. Com recursos a juros razoáveis, a Petrobrás prepara-se para cumprir seu fluxo de investimentos.

No terceiro trimestre de 2010, último período analisado pelo BIS, o Brasil atraiu US$ 27,9 bilhões em recursos externos e ficou em segundo lugar no mundo entre os países emergentes que mais atraíram aplicações, abaixo apenas da China, com US$ 33,8 bilhões. Já naquele momento era evidente que estava superada a fase aguda de escassez de recursos enfrentada em 2008.

Mesmo que 2009 tenha tido momentos de liquidez menos folgada, como no último trimestre, o acesso do País aos recursos internacionais não chegou a ficar prejudicado.

O relatório do BIS mostrou que o total das dívidas brasileiras com os bancos internacionais e declaradas à instituição de Basileia atingiu US$ 236,9 bilhões - um valor próximo dos US$ 255,6 bilhões mencionados na última nota do BC sobre o setor externo, relativa à posição de setembro. Também nesse quesito o Brasil figura em segundo lugar entre os emergentes, abaixo da China, cujo endividamento bancário total no exterior era de US$ 291 bilhões.

Com o aumento da corrente de comércio e a ampliação dos investimentos de estrangeiros no Brasil e de brasileiros no exterior, os dados do relacionamento financeiro com o exterior são cada vez mais expressivos: os bancos estrangeiros tinham ativos no País, sobretudo empréstimos em moeda estrangeira e local, de US$ 447,7 bilhões, em setembro, enquanto os bancos brasileiros tinham exposição internacional de US$ 71,6 bilhões - que cresceu, sobretudo, nos Estados Unidos, acompanhando o aumento dos investimentos das empresas brasileiras no país.

Um aspecto importante do relatório do BIS - que é a mais confiável informação disponível sobre as transações financeiras internacionais - é o de que o dólar recuperou prestígio em relação ao período mais agudo da crise, atraindo a maioria dos operadores, muitos dos quais haviam dado preferência ao euro, no auge dos problemas nos Estados Unidos.

Outro relatório, do Instituto Internacional de Finanças (IIF), indicou que a colocação de títulos de dívida dos emergentes cresceu 75% entre 2005 e setembro de 2010, cabendo 1/3 desse total à América Latina.

O Brasil desfruta de condições favoráveis para obter recursos e, com eles, manter um ritmo satisfatório de crescimento econômico. Ao aplicarem capital, bancos e investidores internacionais comparam os países receptores de recursos, entre os quais, não obstante o inegável aumento dos riscos macroeconômicos, o Brasil continua a figurar entre os mais atraentes.

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