Crédito imobiliário pouco pesa na carteira de bancos

No primeiro semestre foram financiados 187 mil imóveis com recursos das cadernetas de poupança e 278 mil com recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Mas, após sucessivos recordes, o crédito imobiliário ainda tem pouca participação nas carteiras dos bancos privados - cerca de 3,5% do total das operações, ante 20% no Chile e 28% na União Europeia. É o que explica a atual disposição dos bancos em aumentar muito essas operações.

, O Estado de S.Paulo

15 de agosto de 2010 | 00h00

Os bancos estimam que cerca de 450 mil unidades serão financiadas com recursos das cadernetas neste ano, no montante de R$ 57 bilhões. Com a inclusão do FGTS, o número poderá chegar a 930 mil imóveis, num total de R$ 77 bilhões de créditos. Mantido esse ritmo de crescimento nos próximos anos, os financiamentos poderão superar os R$ 500 bilhões em 2014 - ou 11% do Produto Interno Bruto (PIB), ante os atuais 4%.

As projeções se baseiam em estudos de consultorias conhecidas, como a MB Associados, que preveem um aumento da renda real dos trabalhadores assalariados da ordem de 8% ao ano. Isso pressupõe que a estabilidade macroeconômica será mantida no próximo governo, tanto se este privilegiar o equilíbrio fiscal, permitindo redução maior dos juros, como se mantiver altos gastos públicos e depender da elevação do juro para controle da inflação.

A ascensão das classes D e E para a classe C, decorrente do aumento da renda, foi e continuará sendo o motor da retomada. Os recordes de empréstimos mostram que os construtores e as famílias estão muito otimistas. Aumentou, entre 2009 e 2010, a parcela dos empréstimos destinados à construção, o que é positivo, pois significa que haverá oferta para atender à demanda. E há crédito fácil para imóveis usados, ao contrário do que ocorria no passado.

Os mutuários, além disso, estão aumentando a parcela financiada - em média, a entrada correspondia a 53% do valor total do imóvel em 2004, porcentual que caiu para 44%, em 2007, e está agora em 38%. Os compradores estão mais dispostos a se endividar, o que facilita o acesso antecipado ao imóvel. Mas a facilidade de tomar crédito também leva à maior tolerância com reajustes de preços.

O Brasil tem leis bancárias rigorosas desde as liquidações de bancos, na década passada. Ao expandir o crédito imobiliário, de longo prazo, será preciso manter a prudência, evitando que haja no futuro aumento da inadimplência, hoje baixíssima nas operações com alienação fiduciária.

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