Crédito para a indústria está mais curto e concentrado

São notórias as distorções que o mercado de crédito no País vem apresentando nos últimos meses

Editorial Econômico, O Estado de S.Paulo

05 Março 2017 | 03h00

São notórias as distorções que o mercado de crédito no País vem apresentando nos últimos meses. Depois da constatação de que o volume de crédito para as pessoas físicas (PF) tem superado ultimamente o total de crédito para as pessoas jurídicas (PJ), levantamento do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) vem mostrar como foi dramática a contenção do crédito para a atividade produtiva em 2016. Das 430 empresas ouvidas, a maioria (53,5%) contratou, renovou ou tentou renovar alguma linha de crédito durante o ano passado. Mas, desse grupo, 11,7% não tiveram o pedido de crédito aprovado em nenhuma linha e, entre as que conseguiram passar pelo crivo das instituições financeiras, 25,4% obtiveram menos de 60% do valor pretendido.

Do segmento restante (46,5%), 77,8% declaram ter decidido não contratar empréstimo em vista do alto custo cobrado, além das exigências mais abrangentes de garantias (72,2%) e prazo muito curto para a quitação do contrato (22,2%). O total supera 100% porque as empresas pesquisadas podiam dar mais de uma resposta.

Os números indicam que o crédito tem sido mais concentrado para empresas de porte que pode ser considerado médio, com faturamento anual entre R$ 16 milhões e R$ 90 milhões, que responderam por 62,7% do total de pedidos de empréstimos em 2016. Embora também tenham enfrentado dificuldades, essas empresas têm mais estrutura de capital para se credenciarem junto aos bancos, podendo também oferecer mais garantias.

As mais afetadas têm sido as pequenas e médias empresas, que têm necessidade mais premente de capital de giro. Essa foi justamente a linha mais demandada pela maior parte das empresas (71,3%); 40,9% responderam que buscaram crédito para quitar dívidas, 14,8% solicitaram empréstimos para investir e 7,4%, para exportar.

Na prática, muitos pequenos empresários têm verificado ser mais fácil obter crédito como pessoa física do que como jurídica. O proprietário ou acionista de uma empresa pode ter um cadastro positivo, o que facilita a obtenção de empréstimo, enquanto a empresa a que está ligado pode ter algum tipo de restrição conjuntural. Os bancos, naturalmente, cobram juros mais salgados das pessoas físicas do que das empresas

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