Crédito parcelado alivia custo da dívida em cartões

Embora continuem altos, caíram substancialmente os juros do financiamento para clientes que pagam pelo menos o valor mínimo da fatura do cartão de crédito

O Estado de S.Paulo

08 Agosto 2017 | 03h03

Embora continuem altos, caíram substancialmente os juros do financiamento para clientes que pagam pelo menos o valor mínimo da fatura do cartão de crédito. É o que mostra o Banco Central (BC), que passou a divulgar os resultados da Resolução 4.549/17, de janeiro, que estabeleceu que, a partir de abril, os clientes só podem permanecer no rotativo do cartão de crédito por até 30 dias. Após esse prazo, as instituições financeiras podem oferecer opção de parcelamento em condições mais vantajosas e juros mais baixos. Com as novas regras, cuja aplicação vem sendo acompanhada por um comitê do BC e de bancos, as taxas de juros no rotativo caíram de 431,1% ao ano em março para 230,4% ao ano em junho. Isso representa uma queda de quase a metade (46,6%) do custo da operação, segundo a publicação Conexão Real do BC.

Em termos mensais, mais facilmente compreendidos pelos clientes, os juros baixaram de 14,9% em março para 10,5% em junho para o cartão rotativo regular e de 16,6% para 15,5% para os cartões que continuam na dependência de acertos.

O saldo que passar do mínimo quitado pode ser negociado em condições bem mais favoráveis, na modalidade denominada de crédito parcelado, cuja taxa média anual era 157,8% em junho. Essa conversão do saldo devedor do rotativo em crédito parcelado, modalidade que tem sido uma das principais ofertadas na negociação dos saldos remanescentes, deve se manter nos próximos meses, segundo Fernando Rocha, do Departamento Econômico do BC.

Isso pode representar uma saída para clientes que acumularam dívidas no cartão de crédito, as quais, com o passar do tempo, se tornaram praticamente impossíveis de pagar. Isso vinha inflando a taxa de inadimplência das instituições financeiras, exigindo-lhes vultosas provisões para devedores duvidosos. A constatação é de que as novas normas destravaram a concessão, pelas instituições financeiras, de crédito parcelado, cujo volume subiu 55,9% no segundo trimestre, segundo o BC.

São taxas ainda muito altas, mas podem baixar mais, tornando mais acessível o crédito. Se, de fato, com a progressiva redução da taxa básica de juros (Selic) nos últimos meses, todas as taxas de juros do mercado caírem, como é a expectativa do BC, poderá ser removido um grande obstáculo para ativação dos negócios.

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