Cresce a exportação de manufaturados

Houve surpresas na balança comercial de junho, quase todas muito positivas. A começar do saldo de US$ 4,625 bilhões, o maior desde dezembro de 2006 - resultado de um crescimento de 15,0% das exportações em relação ao mês anterior, enquanto as importações cresceram apenas 0,4%. A corrente de comércio apresentou melhor qualidade, mas com alguma fragilidade.O crescimento das exportações deveu-se ao aumento das vendas de commodities, que, porém, no que toca à soja, poderá não se repetir. Paralelamente, houve um aumento das exportações de produtos manufaturados, depois de três meses consecutivos de queda.As exportações de produtos básicos foram 20,2% maiores do que no mês anterior, mas 10,7% menores do que em junho de 2008. As de soja, excepcionais, que responderam por 22,5% da média diária total de junho, atingiram 19,3 milhões de toneladas (40% a mais do que em maio de 2008). Será difícil repetir esse desempenho nos próximos meses. Houve também forte aumento das exportações de minérios de ferro . Esses dois produtos destinados principalmente à China, refeita dos efeitos da crise, tornado-se o segundo cliente do Brasil, depois da União Europeia.O melhor, talvez, foi o crescimento das exportações de manufaturados (mais 10%), com predominância do material de transporte, com 36,9% de aumento.Isso parece refletir a melhora da situação dos países latino-americanos, os principais clientes desse tipo de produto, apesar da queda das exportações para a Argentina, de 35,5%, em relação ao mesmo mês de 2008.A melhora das exportações de produtos manufaturados já se previa, pelo crescimento da produção industrial em maio, que certamente não se destinou apenas ao mercado interno.É um fato importante, dado o maior valor adicionado desses produtos. O crescimento de apenas 0,4% (pela média diária) das importações parece refletir uma reação ainda tímida da demanda interna (redução de 6,9% dos bens de capital e de 8,7% de bens não duráveis) e uma queda da demanda de bens de consumo duráveis (exceto automóveis). Registra-se, porém, um crescimento de 4,6% da importação de bens intermediários e de matérias-primas, o que parece sugerir maior otimismo dos industriais. As importações poderão crescer nos próximos meses, dependendo da evolução da taxa cambial.

, O Estadao de S.Paulo

03 de julho de 2009 | 00h00

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