Cresce mais o consumo de importados

O que ocorreu no ano passado é resultado de um fator positivo: a recuperação do consumo doméstico, indispensável para a retomada do crescimento

O Estado de S.Paulo

28 Março 2018 | 03h00

A participação dos produtos importados no consumo total de bens industrializados aumentou, mas a das exportações na produção total da indústria, que vinha crescendo, diminuiu no ano passado. A tendência divergente entre compras e vendas externas de produtos industriais poderia indicar o agravamento das dificuldades do setor manufatureiro para melhorar sua competitividade, como se observou em outros momentos. Mas o que ocorreu no ano passado é resultado de um fator positivo: a recuperação do consumo doméstico, indispensável para a retomada do crescimento.

De acordo com o estudo Coeficientes de Abertura Comercial da Confederação Nacional da Indústria (CNI), depois de três anos de queda, o consumo de produtos importados aumentou em 2017. Em 2013, antes da severa recessão que o País enfrentou, era de 18,2% a participação dos importados no total dos produtos vendidos no mercado interno. Esse porcentual caiu para 16,4% em 2016, mas no ano passado subiu para 17%. De cada 100 produtos vendidos em 2017 no mercado interno, 17 eram estrangeiros.

No caso dos insumos utilizados pela indústria, em 2013 era de 26,1% a participação dos importados. Esse índice começou a cair em 2014 e chegou a 22,5% em 2016. No ano passado, subiu para 23,5%.

O aumento da fatia dos importados no ano passado, segundo a CNI, decorreu da recuperação do consumo interno, especialmente das famílias - graças à recuperação da renda real média, à queda dos juros e à sensível redução da inflação -, bem como da valorização do real diante do dólar, que estimulou as compras externas.

Quanto ao coeficiente de exportações - que mede a importância das vendas externas para o setor manufatureiro - praticamente não houve alteração nos últimos dois anos. Era de 15,7% em 2016 e ficou em 15,6% no ano passado. São índices bem inferiores ao pico da série calculada pela CNI, de 19,7% em 2005.

A valorização do real reduziu a competitividade do produto industrial brasileiro, cujas vendas externas cresceram menos do que o comércio mundial (expansão de 4,7% em 2017, segundo estimativa do Fundo Monetário Internacional). Embora o volume produzido pela indústria tenha crescido 3,6% em 2017, o volume exportado aumentou apenas 2,3%, bem menos do que os 6,6% de expansão no ano anterior.

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