Crescimento lento na indústria

Em junho, com crescimento de 0,2%, a produção industrial apresentou menor ritmo de aumento do que no mês anterior (1,2%), mas foi o sexto mês consecutivo de expansão, o que não impediu uma queda de 13,4% no primeiro semestre em relação a igual período de 2008.O importante foi a modificação por categorias de uso em relação ao mês anterior. O maior crescimento foi dos bens de capital - de 0,9% em maio para 2,1% em junho -, que parece indicar que a indústria nacional voltou a investir, já que as exportações desses bens continuam estagnadas. É o prenúncio de maior volume da produção física nos próximos meses e indicação de um aumento da confiança das empresas pela retomada da demanda.Isso também transparece na produção de bens intermediários: de 0,3% em maio, para 0,7% em junho.Na produção de bens de consumo duráveis se registra queda de 0,4%, ante aumento de 4% em maio, que parece se explicar mais pela queda da produção de equipamentos de informática do que de veículos automotores, em que só houve redução da produção de caminhões. No caso de bens de consumo semiduráveis e não-duráveis, a queda em junho foi de 2,6%, ante crescimento de 0,8% em maio, o que se pode explicar pelas compras do Dia das Mães.Um desempenho muito bom foi registrado pela indústria extrativa, que refletiu o aumento da demanda de commodities para exportação, especialmente as destinadas à China.Tem-se a impressão de que a produção industrial no segundo semestre deverá ser melhor do que no primeiro, mas com uma recuperação muito lenta enquanto não se registrar um aumento das exportações de produtos manufaturados, que parece muito improvável no atual contexto internacional em que os melhores clientes do Brasil para esses produtos são os Estados Unidos e a Argentina.A retomada da produção industrial depende, essencialmente, da demanda doméstica. Esta poderá se comportar melhor nas classes C e D e para produtos de menor valor agregado. Há uma preocupação sobre como evoluirá a demanda de produtos que hoje se beneficiam da redução de impostos (carros de passageiros, linha branca e material de construção), quando os incentivos forem extintos. A manutenção da demanda dependerá mais da realização de investimentos em infraestrutura, que exigem muita mão de obra, mas que até agora sofrem grandes atrasos.

, O Estadao de S.Paulo

04 de agosto de 2009 | 00h00

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