Custo da cesta pode conter consumo de outros bens

O preço da cesta básica, calculado pelo Dieese, aumentou 14,55% em São Paulo, entre dezembro e abril, e 15,85%, nos últimos 12 meses - porcentuais superiores aos índices de inflação do IBGE, da FGV ou da USP, pondo a perder a redução de preços ocorrida em 2009 (-4,72% em São Paulo). Ainda maiores foram as altas da cesta básica no Recife (25,2%), em Salvador (20,12%), em Natal (19,98%), em João Pessoa (19,47%) e no Rio de Janeiro (18,64%).

, O Estado de S.Paulo

09 Maio 2010 | 00h00

Em abril, das 17 capitais pesquisadas pelo Dieese, apenas em Goiânia diminuiu o custo dessa cesta, mas no primeiro quadrimestre a alta não poupou nenhuma dessas cidades.

Da cesta básica fazem parte carne, leite, feijão, arroz, farinha, batata, tomate, pão, café, banana, açúcar, óleo e manteiga. São estimadas as quantidades consumidas de cada item e calculadas quantas horas precisarão trabalhar para adquiri-las os que ganham o salário mínimo.

Comparando abril de 2009 com abril de 2010, apenas em duas capitais - Brasília e Goiânia - diminuiu o número de horas necessárias para adquirir os produtos da cesta. Em São Paulo esse número aumentou em 6 horas; em Porto Alegre, quase 5 horas; no Rio, em Florianópolis e em Curitiba, cerca de 4 horas; e em Vitória, 1 hora e meia a mais.

Não foram poupados os trabalhadores das Regiões Norte e Nordeste, onde predominam os programas assistenciais, como o Bolsa-Família, e é maior a popularidade do governo. No Recife foram gastas mais 9 horas para adquirir a cesta; em Natal, mais 5 horas e meia; em Salvador e em Manaus, mais 4 horas e meia; e em Belém, mais 3 horas.

O custo da cesta básica foi influenciado pelos preços altos do feijão, da batata, do tomate e do açúcar. Há variações sazonais - e as safras favoráveis deste ano poderão atenuar as pressões de custo. Mas os aumentos salariais foram inferiores aos dos preços de alguns alimentos, em média. Para os que ganham o salário mínimo, a alternativa é substituir os itens caros por outros mais baratos, quando isso é possível.

Em termos de cesta básica, na maioria das capitais o poder aquisitivo do salário mínimo de R$ 465, válido em 2009, superou o do salário mínimo de R$ 510, pago a partir de janeiro.

O raciocínio que se aplica aos que percebem um salário mínimo é semelhante para os demais: gastando mais para comprar alimentos, mais cedo ou mais tarde será preciso conter o consumo de outros bens, pois o crediário poderá apenas adiar o efeito da queda de poder de compra.

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