Dados da indústria não indicam recuo da produção

Os dados da produção industrial regional do mês de abril mostram claramente a desaceleração de 0,7% na atividade, em todo o País, com ajuste sazonal. De fato, nas 14 regiões pesquisadas, 7 apresentaram redução, 1 ficou estável e 6 apresentaram crescimento que variou entre 4,5% (Goiás) e 0,1% (Santa Catarina).

, O Estado de S.Paulo

10 Junho 2010 | 00h00

O Estado onde a produção industrial mais caiu foi o do Paraná (-14,7%), mas em março acusara crescimento de 18,7%. Foi ali também que ocorreu a única queda significativa no setor de edição. Porém, sem ajuste sazonal, registrou-se um crescimento de 11,7%.

O Estado do Amazonas apresentou queda de 4,2% com ajuste sazonal, porém um crescimento de 32,71% sem o ajuste e, como no Paraná, o setor mais afetado foi o da impressão, enquanto o de maior crescimento foi o de material elétrico (9,88%), refletindo uma demanda maior de TVs para a Copa. O Estado do Rio de Janeiro apresentou queda de 3,4% com ajustamento sazonal, mas crescimento de 11,5% sem ajuste. O setor mais afetado foi o de minerais não metálicos.

No Estado de Pernambuco a queda foi de 2,6%, com ajuste sazonal, e de 7,7%, sem ajuste, com o refino de petróleo e álcool como o setor mais atingido.

Outros Estados apresentaram recuo insignificante, e Goiás exibiu o maior crescimento (4,5%). Em São Paulo registrou-se crescimento de 0,5% (18% sem ajuste).

Essa análise setorial e regional nos leva a pensar que tivemos, em abril, uma acomodação da produção industrial, como mostraram, aliás, os indicadores da Confederação Nacional da Indústria (CNI) publicados um dia antes: a redução do faturamento real parece refletir mais o aumento dos preços do que um recuo da demanda. Alguns setores apresentaram um aumento do faturamento acima de 20%: material de construção(48,1%), madeira (28,5%), vestuário (28,5%), edição (24,8%), veículos automotores (22,4%) e máquinas e equipamentos (30,7%).

Não é um quadro que reflita uma estagnação da economia, mas apenas a prudência de alguns setores com estoques elevados, que procuram avaliar os efeitos de uma eventual política de austeridade. Os dados mostram ainda que a indústria continua acreditando no crescimento do consumo, levando, porém, em conta que os compromissos com créditos imobiliários poderão impedir setores, como o de alimentação e bebida, de crescer.

A dúvida maior diz respeito a uma política de restrição do crédito.

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