Dados do emprego são menos ruins do que parecem

Em maio, foram abertas no País 33,7 mil vagas com carteira assinada

O Estado de S.Paulo

29 Junho 2018 | 04h00

Em maio, foram abertas no País 33,7 mil vagas com carteira assinada, número que chega a 381,2 mil nos primeiros cinco meses de 2018. Foi o quinto mês consecutivo de recuperação, mas a quantidade de novos postos registrada no mês passado foi a menor do ano. É possível olhar os dados pela ótica negativa, mas os números podem ser menos ruins do que parecem.

Um conhecido especialista em mercado de trabalho, o economista José Márcio Camargo, professor da PUC-Rio, considerou positivo o resultado de maio divulgado pelo Ministério do Trabalho e Emprego. O argumento central de Camargo é de que, apesar de a indústria e o comércio terem sido imediatamente atingidos pela greve dos caminhoneiros, nos últimos dez dias de maio, ainda houve crescimento do emprego em geral.

De fato, a indústria de transformação cortou 6.464 postos e o comércio suprimiu 11.919 vagas. Mas a agropecuária contratou 29.302 pessoas com carteira, o setor de serviços empregou mais 18.577 trabalhadores e a construção civil registrou um saldo líquido positivo de 3.181 vagas. Mesmo que o impacto da greve persista em junho, é prudente esperar os resultados do segundo semestre para tirar conclusões sobre o emprego formal.

O maior empregador é o setor de serviços, que registrou nos últimos 12 meses aumento de 1,39% no nível de emprego formal, o que corresponde à abertura de 233 mil vagas. Após longo período de declínio do segmento de serviços, qualquer reativação econômica tenderá a estimular as contratações. 

A construção civil também é grande empregadora e está em recuperação, o que deverá permitir mais contratações no segundo semestre. E é promissora a perspectiva de contratações pelas empresas do agronegócio, pois a produção cresce.

Já começam a surgir efeitos das novas leis trabalhistas. Em maio, o trabalho intermitente gerou a abertura de 4.385 vagas, enquanto 1.165 pessoas eram desligadas, com saldo positivo de 3.220 vagas. No trabalho em regime de tempo parcial também houve mais admissões do que demissões.

Comparando os primeiros cinco meses de 2017 e de 2018, a evolução do emprego foi mais acentuada no Sudeste, salvo no Rio; no Sul, com destaque para Santa Catarina; e no Centro-Oeste. Em pior situação estão Alagoas, Sergipe, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte, no Nordeste.

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