Demanda de petróleo só aumenta em 2017

A forte recessão fez cair, como era lógico, a demanda nacional por petróleo e derivados, mas a dimensão do recuo foi menor do que antecipava a Agência Internacional de Energia (AIE). Em seu último levantamento, divulgado na semana passada, a AIE assinala que a demanda por combustíveis no País teve um recuo de 3,7%, em relação ao mesmo mês do ano passado, ficando aquém da taxa de desaceleração da indústria e do Índice de Gerentes de Compras (Purchasing Managers’ Index – PMI), indicador utilizado por empresas internacionais.

O Estado de S. Paulo

19 Junho 2016 | 03h00

A queda ocorre pelo décimo mês consecutivo e representa uma redução de compras de petróleo no exterior pelo País de 120 mil barris/dia em abril. É provável que a AIE não disponha de informações mais recentes sobre os ganhos de competitividade que o etanol tem obtido em relação à gasolina em vários Estados brasileiros, o que contribui para a diminuição do consumo de petróleo. Além disso, o consumo de diesel tem sido afetado por uma queda bastante sensível no transporte de cargas diversas nos últimos meses.

Seja como for, a entidade estima que o consumo brasileiro de petróleo e derivados tenha ficado em 3,02 milhões de barris/dia no primeiro trimestre, com provável recuperação no segundo semestre, devendo o consumo fechar este ano em 3,19 milhões de barris/dia.

Quanto à produção, as perspectivas de crescimento neste ano não são animadoras, segundo a AIE. A produção deve alcançar 2,57 milhões de barris/dia no fim do ano, sendo prejudicada pela manutenção de plataformas e por problemas inesperados. Se os obstáculos puderem ser superados, a produção pode chegar a 2,85 milhões de barris/dia em 2017.

Apesar da queda das cotações internacionais, quando comparadas com as do ano passado, o País vem obtendo superávit na balança comercial no que se refere ao petróleo em bruto, sem levar em conta os derivados.

De janeiro a abril, as exportações, muito afetadas pelo preço, foram de US$ 2,535 bilhões, 33,34% menos que no mesmo período do ano passado (US$ 3,803 bilhões). Contudo, as importações caíram mais ainda, não passando de US$ 1,431 bilhão no primeiro quadrimestre, 45,72% menos que em idêntico período de 2015 (US$ 1,985 bilhão). Isso ocorreu não só graças ao petróleo barato, mas porque o consumo interno tem sido muito baixo. O resultado foi um superávit nesse item de US$ 1,104 bilhão.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.