Demanda global sustenta preços do petróleo

A procura pelo petróleo bruto e seus derivados superou as expectativas no segundo trimestre, abrindo espaço para a recuperação das cotações da commodity no mercado global

O Estado de S.Paulo

20 Setembro 2017 | 03h16

A procura pelo petróleo bruto e seus derivados superou as expectativas no segundo trimestre, abrindo espaço para a recuperação das cotações da commodity no mercado global, segundo o último Relatório do Mercado do Petróleo da Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês), divulgado há dias.

Em razão do vigor da demanda, as cotações voltaram à casa dos US$ 50 o barril para o tipo WTI (West Texas Intermediate) e dos US$ 55 o barril do tipo Brent, embora o impacto dos furacões Harvey e Irma sobre o mercado do petróleo tenha sido muito menor do que o de furacões anteriores, como o Katrina/Rita, em 2005, e o Gustav/Ike, em 2008. A tendência é de que o impacto atual, que foi maior nas refinarias do que na produção, seja rapidamente absorvido. A elevação dos preços foi ajudada pela notícia de que dois grandes produtores – a Rússia e a Venezuela – decidiram manter a política de cortes da produção para estimular as cotações.

As cotações firmes também explicam os reajustes da gasolina e do óleo diesel no Brasil, frequentes nos últimos dias e que passaram a ser determinados pela Petrobrás, e não mais pelo governo, como ocorria na era petista.

No trimestre abril/junho, a demanda global de petróleo foi estimada em 97,9 milhões de barris/dia (b/d) pela IEA, pressionada pelo fortalecimento da economia tanto na zona do euro quanto nos Estados Unidos e na China. A demanda cresceu 2,4% entre os segundos trimestres de 2016 e de 2017 e deverá continuar forte no ano que vem, até atingir a marca de 100 milhões de b/d no quarto trimestre de 2018, segundo as projeções da IEA.

Em agosto, a oferta de petróleo caiu 720 mil b/d em relação a julho, no primeiro declínio nos últimos quatro meses. Nos países exportadores da Opep houve queda na oferta pelo quinto mês consecutivo, mas, por causa do ritmo de produção nas demais regiões, os estoques globais permaneceram inalterados.

Em julho, a produção brasileira de petróleo, de cerca de 2,8 milhões de b/d, foi ligeiramente inferior à prevista, mas deverá crescer para 3,2 milhões de b/d até o final de 2018. A mudança da política de mercado da Petrobrás, com fixação diária de preço dos derivados, permitiu reduzir os riscos da empresa, como os de quebra da produção ou de oscilações mais fortes nas cotações internacionais.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.