Desconfiança atinge maioria dos brasileiros

Segundo levantamento da CNDL e do SPC, para 84% dos consumidores ouvidos o cenário atual é ruim ou muito ruim

O Estado de S.Paulo

22 Agosto 2018 | 04h00

O grau de desconfiança das famílias foi muito alto em junho e julho, o que poderá ter efeitos negativos sobre a disposição de consumo e afetar tanto o comércio varejista como a demanda de serviços neste semestre. O fato coincide com o crescente grau de incertezas políticas e a demora de uma retomada ampla da economia.

O maior problema é o desemprego, segundo 73% das pessoas ouvidas pelo Indicador de Confiança do Consumidor (ICC) da Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas (CNDL) e do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil). O levantamento de julho mostrou que um porcentual elevado (84%) de consumidores brasileiros acredita que o cenário atual é ruim ou muito ruim.

Para a economista-chefe da SPC Brasil, Marcela Kawauti, “o achatamento da renda e o desemprego mostram que, no dia a dia do consumidor, pouca coisa evoluiu com relação ao período mais agudo da crise”. O prognóstico futuro tampouco é favorável, pois “a recuperação da confiança requer uma retomada mais vigorosa da economia, que aqueça o mercado de trabalho, mas isso não deve ser visto no horizonte dos próximos meses”.

A pesquisa de julho registrou 41 pontos, abaixo dos 50 pontos que separam os campos negativo e positivo. Nos primeiros sete meses de 2018, o nível mais elevado foi registrado em janeiro (43,6 pontos) e o mais baixo, em junho (38,8 pontos), em consequência da greve dos caminhoneiros.

Embora os números gerais sejam negativos, há aspectos menos dramáticos no levantamento, feito com 801 pessoas. É mais favorável, por exemplo, a condição das finanças próprias: 46% consideram a situação financeira regular, 11% acham que é boa e 43% consideram que o momento é crítico para as finanças. Os dados parecem indicar que os esforços para ajustar os orçamentos domésticos foram bem-sucedidos para a maioria das famílias. Nada menos que 61% declararam estar com a vida organizada, porque controlam as finanças. Mas isso não basta para ter confiança no futuro.

Há mais problemas além do desemprego e do estado de desalento de milhões de pessoas. Os consumidores afirmam que os juros estão em alta e que o dólar está mais caro. E 59% têm a percepção de que os preços vêm aumentando. Como a inflação está voltando aos trilhos, é possível que a próxima pesquisa seja algo melhor.

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