Desempenho pífio de Haddad

O balanço das realizações do prefeito Fernando Haddad, que ao assumir seu cargo apresentou com estardalhaço e autoconfiança um ambicioso programa de governo, é decepcionante. Não só porque cumpriu muito pouco do que prometeu, como também porque essa constatação se faz quando ele está prestes a completar metade de seu mandato, ou seja, por mais que se esforce daqui para a frente para recuperar o atraso - como insiste que fará - não tem mais muito tempo para isso. Não será nada fácil, pois, essa tarefa.

O Estado de S.Paulo

14 Dezembro 2014 | 02h04

Os números são eloquentes. O cumprimento de 81 dos 123 compromissos assumidos não chegou ainda nem a 50%, como mostra levantamento feito pelo Estado. E em metade desses 81 se ficou abaixo de 25%. Só 16 daquelas metas foram integralmente cumpridas. E o mais grave é que esse desempenho pífio ocorre principalmente nas áreas consideradas prioritárias pelo prefeito - saúde, assistência social, educação, habitação e mobilidade. Exatamente as que o PT, que se pretende mais voltado para o povo, proclama ser as mais prezadas por ele.

As áreas que apresentam os piores índices são a de assistência social - cinco metas com execução abaixo de 25% - e a de saúde, na qual todas ficaram em nível inferior a 50%, sendo um exemplo concreto o da construção de três hospitais. No caso da mobilidade, está muito atrasada a execução do projeto de 150 km de corredores de ônibus e, no da habitação, a construção de 55 mil moradias populares. O mesmo ocorre na educação, com as 243 creches e os 20 Centros Educacionais Unificados (CEUs) prometidos.

Até agora, a Prefeitura entregou apenas 3,6 mil moradias - 7% da meta fixada para o fim do mandato de Haddad. Na área de habitação, como se vê, o que sobra em demonstrações de tolerância com as invasões de terrenos pelo Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST), que não por acaso estão longe de diminuir, falta em moradia.

Caso igualmente gritante é o das creches. A situação nunca esteve pior. Com 187 mil crianças na fila, o déficit de vagas nesses estabelecimentos bateu um recorde. Depois de lembrar que Haddad se comprometeu a criar 150 mil novas vagas, Salomão Ximenes, da ONG Ação Educativa, adverte que, "se medidas urgentes não forem tomadas, ele não vai chegar (lá)". E acrescenta: "Como ele entrega 26 creches, de 243 novas, e afirma que cumpriu 24,4% da meta?". No momento, 9 estão em construção e outras 49 em processo de licitação. Mesmo somando-se tudo isso, será muito difícil, quase impossível, chegar às 243 creches prometidas até 2016.

Também complicada está a situação na área de mobilidade, na qual a principal obra é a construção de 150 km de corredores de ônibus. Estão em construção hoje apenas 37 km. Esse atraso não é culpa do Tribunal de Contas do Município (TCM), que demorou a liberar a obra. Ele assim procedeu, segundo o conselheiro Edson Simões, por falta de comprovação de recursos orçamentários suficientes para ela e de problemas com o projeto básico. A responsabilidade cabe, portanto, à Prefeitura. Por questões técnicas, o TCM fez o mesmo com outros projetos de Haddad.

É lamentável que isso tenha acontecido com os corredores, porque estes, ao contrário de outros projetos viários da atual administração, são uma iniciativa séria, já testada. Modernizar os existentes e construir outros - em trajetos bem escolhidos, com rigor técnico - são iniciativas que podem de fato colaborar para a melhoria do transporte coletivo.

É nisso que o atual governo municipal deveria ter se concentrado, elaborando um projeto capaz de ter logo o aval do TCM, em vez de gastar tempo, recursos e energia em iniciativas improvisadas como a das faixas exclusivas, implantadas às carreiras, cujo desempenho global deixa a desejar.

Diante do sofrível desempenho de seu governo, Haddad garante que "não joga a toalha" e que vai acelerar o início das obras de modo a concluir, se não todas, ao menos as mais importantes de seu plano. Só resta aos paulistanos esperar que ele consiga ganhar essa luta contra o tempo.

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