Desemprego cresce a velocidade recorde

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua Mensal deixou claro que o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, não estava, de modo nenhum, exagerando quando afirmou que a taxa de desemprego pode chegar a 14% se nada for feito ou se nenhuma medida for tomada para mudar a trajetória da dívida pública, de modo a restaurar a confiança na economia. Como mostrou a pesquisa realizada pelo IBGE, abrangendo todas as regiões do País, o desemprego atingiu 10,9% no primeiro trimestre deste ano, batendo novo recorde da série, com salto de 3 pontos porcentuais em relação ao mesmo período do ano passado.

O Estado de S. Paulo

21 Maio 2016 | 03h00

A taxa de desemprego já passa de 14% em três Estados: Bahia (15,5%), Rio Grande do Norte (14,3%) e Amapá (14,3%). Em São Paulo, responsável por 23,8% dos postos de trabalho do País, a taxa foi de 12%; em Minas Gerais, com 10,7% da força de trabalho nacional, a taxa foi de 11,1%; e no Rio (8% dos trabalhadores), o desemprego, de 10%, ficou pouco abaixo da média do País.

Por região, o Nordeste, que responde por 24,8% da força de trabalho do País, tem desemprego de 12,8% e no Sudeste, que concentra 44,5% da massa dos trabalhadores nacionais, a taxa é de 11,4%.

No País, a renda média do trabalhador ficou estável em R$ 1.966 em relação ao último trimestre de 2015, mas caiu 3,2% na comparação com o mesmo período do ano passado. Em São Paulo, porém, a renda média dos trabalhadores teve um ligeiro aumento de 0,4%, indo a R$ 2.588 no trimestre findo em março. Já em confronto com os primeiros três meses de 2015, houve uma queda de 2,2%.

A situação é um pouco menos grave nas regiões em que a agropecuária tem mais força, mas, mesmo assim, verifica-se que a desocupação cresceu de 7,3% para 9,7% no Centro-Oeste e de 5,1% para 7,3% no Sul, sempre comparando o último trimestre de 2015 com o primeiro de 2016. E, em todas as regiões metropolitanas, houve recuo recorde na série histórica.

Ninguém espera uma reversão desse quadro a curto prazo. Contudo, com a recuperação da credibilidade na condução da política econômica e antecipando-se uma contenção do crescimento da inflação no segundo trimestre deste ano, pode haver aumento de vendas, que pode levar a contratações. Mas, por enquanto, tudo isso não passa de expectativa. É provável que o desemprego continue a crescer nos próximos meses.

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