Desemprego diminui, mas ainda preocupa

Ainda há 12,4 milhões de trabalhadores em busca de alguma atividade remunerada

O Estado de S.Paulo

01 Dezembro 2018 | 04h00

O mercado de trabalho já superou a fase mais aguda de sua crise, mas o quadro ainda preocupa. Embora a taxa de desocupação no trimestre móvel agosto-outubro, de 11,7%, tenha sido menor do que a de igual período do ano passado (de 12,2%) e a do trimestre móvel anterior (de 12,3%), ela mostra que ainda há 12,4 milhões de trabalhadores em busca de alguma atividade remunerada.

Além da persistência de um número muito grande de pessoas que procuram, mas não encontram uma ocupação remunerada, o mercado de trabalho continua a perder qualidade. Há cada vez mais trabalhadores informais ou por conta própria. E ainda há um grande contingente de trabalhadores subutilizados e de pessoas desalentadas, isto é, que estão fora da força de trabalho, mas que, se tivessem conseguido algum trabalho, estariam disponíveis para assumir a vaga.

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua referente ao trimestre móvel encerrado em outubro, elaborada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostrou que a população desocupada caiu 4,0% em relação ao trimestre de maio a julho de 2018 e 3,1% na comparação com igual período do ano passado.

Em contrapartida, aumentou a população ocupada, atualmente de 92,9 milhões de trabalhadores, número 1,4% maior do que o do trimestre anterior e 1,5% maior do que o de um ano antes. É uma informação animadora. Mas ela deve ser vista com alguma ressalva. O aumento decorre principalmente da abertura de postos de trabalho sem qualidade.

“Basicamente, quem entrou no mercado de trabalho agora é para ocupar emprego sem carteira ou para trabalho por conta própria”, observou o coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE, Cimar Azevedo. O trabalho por conta própria geralmente é um “bico”. Como não há recuperação do emprego com carteira assinada, que oferece em geral salários e condições de trabalho melhores, “isso tudo está remetendo a um quadro de precarização do mercado de trabalho”, completa Azevedo.

A população subutilizada da força de trabalho – formada pelos desocupados, pelos trabalhadores que têm jornada menor, mas que estariam dispostos a trabalhar mais, e pela força de trabalho potencial – somou 27,2 milhões de pessoas. O número de desalentados chegou a 4,7 milhões de pessoas.

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