Deterioração das contas externas pede nova política

Ao comentar as contas externas do mês de abril, o chefe do Departamento Econômico do Banco Central (BC), Altamir Lopes, deixou claro que, se houver desequilíbrios nessas contas, "medidas estão aí para serem tomadas". Não se sabe quais medidas, que dependem mais da Fazenda do que do BC, mas as contas já mostram uma séria deterioração nas transações correntes do balanço de pagamentos.

, O Estado de S.Paulo

26 Maio 2010 | 00h00

O déficit de US$ 4,583 bilhões é o maior para o mês de abril, desde 1947. No quadrimestre, ele é de US$ 16,7 bilhões, numa previsão de US$ 49 bilhões para o ano todo.

O superávit da balança comercial foi de US$ 1,284 bilhão, 65% menor do que um ano atrás, apesar do aumento de 23% das exportações, neutralizado por mais 60,8% nas importações. E o déficit dos serviços e renda teve crescimento de 59,8%.

Nas transações correntes, não é somente o déficit que preocupa, mas o seu financiamento. A conta que mais garantias oferece é a dos investimentos diretos estrangeiros. Em termos líquidos, representavam 12 vezes o superávit das transações correntes em abril de 2009. Neste ano, para o mesmo mês, foi o déficit das transações correntes que se tornou 106% maior do que os investimentos.

Pode-se dizer que, apesar de tudo, a conta capital cobre amplamente o déficit das transações correntes, com um saldo positivo de US$ 8,339 bilhões, ante apenas US$ 2,837 bilhões em abril do ano passado. No entanto, esse resultado foi obtido por operações que não representam uma entrada permanente de capital. Houve investimentos em carteira de US$ 7,316 bilhões, ante um saldo negativo de US$ 74 milhões em abril de 2009, mês em que a crise mundial estava chegando ao seu ponto máximo. Por outro lado, as operações de crédito neste ano permitiram a rolagem de 476% da dívida, com as amortizações limitadas, enquanto conseguíamos fechar novos empréstimos, que elevaram a dívida externa para US$ 211 bilhões, com aumento de US$ 2 bilhões. Os investimentos em carteira são muito voláteis, ao passo que os empréstimos criam um serviço da dívida pesado.

Segundo o diretor do BC, até o dia 25 de maio os investimentos diretos somaram apenas US$ 1,3 bilhão, e o saldo dos investimentos em carteira deverá acusar um déficit em razão da crise europeia. Vamos ter de aumentar os empréstimos, que em 25 dias de maio permitiram uma rolagem de 1.365%, o que indica uma forte elevação da dívida externa. É uma situação que estaria justificando uma nova política.

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