Distratos agravam a crise no setor imobiliário

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O Estado de S.Paulo

29 Abril 2017 | 03h09

A crise no setor imobiliário, como consequência do desemprego e da redução dos níveis de renda, não dá sinais de arrefecimento. No primeiro bimestre deste ano, os lançamentos de imóveis residenciais e comerciais e abertura de loteamentos somaram 4.015 unidades, uma queda de 13,4% em relação ao mesmo período de 2016, como aponta recente pesquisa da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) em parceria com a Fundação Instituto de Pesquisa Econômica (Fipe) da USP.

Trata-se de um brusco descompasso, já que, nos últimos 12 meses terminados em fevereiro, houve um aumento de 7,3% nos lançamentos, que chegaram a 69.180 unidades. O que se verifica é que o setor estava superdimensionado, e foi atingido em cheio pela desaceleração econômica, que não só fez reduzir sensivelmente seu ritmo de atividade este ano, mas acarretou prejuízos elevados para as incorporadoras com o aumento dos distratos ou rescisões de contratos de compra e venda.

Para tornar mais claras as dificuldades que o setor enfrenta, a pesquisa passou a incluir dados distintos relativos aos empreendimentos residenciais de médio e alto padrões (MAP) e aqueles enquadrados no programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV). Nas 20 empresas associadas à Abrainc, a relação entre os distratos e as vendas atingiu 51,3% nos últimos 12 meses até fevereiro no segmento MAP, indicando um aumento de 2,8% no período anual anterior (48,5%), utilizando a série histórica iniciada no 1.º trimestre de 2014. Já no que diz respeito ao programa MCMV, a proporção de distratos em comparação com as unidades vendidas recuou para 23,9% nos últimos 12 meses, em confronto com o período anual anterior (34,2%).

As empresas têm procurado adaptar-se a essa nova configuração do mercado, reduzindo os empreendimentos para o segmento MAP e aumentando os projetos que se enquadram no programa MCMV. Não obstante, a onda de distratos pode acarretar “riscos sistêmicos”, na visão do presidente da Abrainc, Luiz França. A devolução dos imóveis, observou, obriga as incorporadoras a restituir aos compradores valores pagos por eles, mas já empregados na construção dos empreendimentos. Isso afeta o fluxo de caixa das construtoras e pode deixá-las sem recursos suficientes para concluir as obras no prazo.

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