Dívida mobiliária cresceu apenas devido aos juros

Com um bom colchão de reservas, Tesouro poderá reduzir ao mínimo as emissões, admitiu o subsecretário da Dívida Pública, José Franco Morais

O Estado de S.Paulo

08 Junho 2018 | 04h00

Com resgates de R$ 99,2 bilhões e emissões de R$ 92,2 bilhões, a dívida pública federal em títulos cresceu, em abril de 2018, devido à apropriação de juros e variação cambial de R$ 23,8 bilhões, o que elevou o estoque a R$ 3,658 trilhões, dos quais R$ 134 bilhões em dívida externa. Com um bom colchão de reservas, o Tesouro poderá reduzir ao mínimo as emissões, admitiu o subsecretário da Dívida Pública, José Franco Morais.

A decisão é parte de mudanças estruturais na administração da dívida, segundo o governo. Haverá prioridade para a colocação de títulos de curto prazo, evitando pagar os juros mais elevados pedidos pelos investidores em papéis de longo prazo. O objetivo é conter o custo da dívida, que registrou uma pequena elevação entre março e abril, saindo de 9,75% ao ano para 9,89% ao ano no período. A valorização do dólar frente ao real contribuiu para o aumento: o custo médio da dívida em moeda estrangeira cresceu de 12,19% ao ano em março para 15,56% ao ano em abril.

As entidades de previdência aumentaram as compras de papéis federais e a participação em títulos da dívida mobiliária de 22,80% em março para 23,05% em abril, atingindo um estoque de R$ 812,3 bilhões. Mas o maior acréscimo veio dos investidores estrangeiros, cujo peso passou de 11,84% em março para 12,28% em abril, alcançando R$ 432,7 bilhões. É sinal de confiança no Brasil.

As maiores vendas foram realizadas por instituições financeiras, cuja participação na dívida declinou de 22,39% para 21,76% (R$ 766,95 bilhões).

As tensões econômicas presentes em maio recomendam cautela, tornando mais complexa a administração da dívida. Mas não está nos planos uma alteração das bandas atuais do Plano Anual de Financiamento (PAF), que baliza a evolução da dívida. “Com os bons fundamentos da economia brasileira, os títulos longos como a NTN-F deixam de ser interessantes. E devido à reprecificação global de preços dos ativos, o Tesouro prefere aguardar e não fazer emissões fortes desses títulos longos”, disse Franco Morais. Mais importante, o Tesouro quer chegar a dezembro com prazo médio de endividamento entre 4 e 4,2 anos, o que não afetaria as bandas do PAF nem significaria um encurtamento da dívida pública. 

A dívida mobiliária é a maior parte da dívida bruta do País, da ordem de R$ 5 trilhões, ou 75,9% do PIB.

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