É difícil refrear a demanda com salários aumentando

A Pesquisa Industrial Mensal de Emprego e Salário (Pimes), do IBGE, relativa a março e a do emprego na indústria paulista, da Fiesp, referente a abril ? ambas divulgadas ontem ? mostram, com ajuste sazonal, uma diferença: a do IBGE, crescimento de 0,7% em março; a da Fiesp, uma redução de 0,56% em abril, embora com a criação de 28,5 mil postos de trabalho.

, O Estado de S.Paulo

12 Maio 2010 | 00h00

Os dados da Pimes são mais completos, incluindo, além do pessoal ocupado, o número de horas pagas e a folha de pagamento real. Para escapar das distorções que aparecem quando se faz o ajuste sazonal, é útil examinar os dados em relação ao mesmo mês do ano anterior e o acumulado no ano. O resultado mensal mostra um aumento de 2,4% no pessoal ocupado em março (dado próximo ao da Fiesp para abril, que abrange apenas o Estado de São Paulo). Já o número de horas pagas, segundo o IBGE, cresceu 3,7%, em relação ao mesmo mês de 2009, e 1,5%, no trimestre. A folha de salário real (isto é, deflacionada) aumentou 5,6% e 3,3%, respectivamente.

Esse quadro do emprego industrial no primeiro trimestre permite avaliar, de um lado, o dinamismo do setor, que, apesar dos investimentos realizados, aumenta significativamente sua mão de obra e mais ainda as horas pagas, possibilitando melhor aproveitamento dos equipamentos recém-instalados. Por outro lado, registra-se um aumento ainda maior da folha de pagamentos, que reflete em parte a escassez de mão de obra especializada.

Mas não há dúvida de que esses valores estão evidenciando como será difícil controlar o ritmo da demanda, dado o aumento da folha salarial real de 3,3% no trimestre.

Além dos empregados dos serviços e do comércio, cujos rendimentos parecem evoluir na mesma direção, temos de levar em conta os reajustes dos pensionistas e aposentados do INSS e dos funcionários públicos ativos, superiores aos do setor privado. Entende-se que, nessa situação, o governo, pelas vozes do presidente da República e do ministro do Planejamento, esteja anunciando que o Orçamento não prevê reajuste salarial do funcionalismo, que anteriormente foi particularmente bem atendido.

É preciso ter presente que, por causa da formalização crescente que se verifica na área do emprego, nesta fase, os assalariados são os principais responsáveis pelo aumento das receitas da União, sem que se registre uma elevação dos impostos. O risco é isso levar o governo a aumentar suas despesas de custeio.

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