Efeitos da alta moderada do juro nos EUA

Os últimos dados da economia norte-americana foram bem recebidos pelo mercado de ações, em alta após a divulgação do indicador do aumento do número de vagas de emprego, o chamado payroll

O Estado de S.Paulo

06 Junho 2017 | 03h06

Os últimos dados da economia norte-americana foram bem recebidos pelo mercado de ações, em alta após a divulgação do indicador do aumento do número de vagas de emprego, o chamado payroll. Em maio, o mercado de trabalho mostrou resultados moderados, com a criação de 138 mil empregos formais, abaixo das expectativas dos agentes econômicos. Pouco antes, foi conhecida a mais recente das oito edições publicadas a cada ano do Livro Bege, avaliação do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) sobre o comportamento da economia americana. Na maioria das áreas pesquisadas houve crescimento “entre lento e moderado”.

As informações antecedem a decisão do comitê de política monetária (Fomc, na sigla em inglês), que se reunirá entre 13 e 14 de junho para deliberar sobre a nova meta de juros. Desde março, a taxa básica é de 1% ao ano; em dezembro de 2016, era de 0,75%. Na prática, o Fed tem praticado juros menores, entre 0,25% e 0,5% ao ano.

A alta do emprego foi menor que a esperada. Mas houve elementos positivos: a taxa de desemprego caiu de 4,4% para 4,3%; e ficou estável em 2,5% o crescimento dos salários por hora trabalhada nos últimos 12 meses, conforme dados conhecidos até o início de maio.

Analistas preveem uma política monetária mais favorável à expansão econômica e ao mercado de capitais. A disputa com outros países não chega a ser uma ameaça para a colocação de papéis americanos. Os juros europeus são baixos e o Fed não precisa elevar taxas para manter a atratividade dos títulos do Tesouro americano.

Com inflação próxima de 2% ao ano e pouco otimismo com a economia, o mais provável é que o Fed defina um ritmo de alta gradual do juro, o que é menos desfavorável para os países emergentes que precisam de capital externo, como o Brasil.

No entanto, o impacto do governo Trump sobre a economia não pode ser ignorado. O otimismo foi afetado, em especial, pelas incertezas provocadas por declarações do presidente sobre protecionismo e meio ambiente, afastando os Estados Unidos da União Europeia. É possível que essas incertezas também tenham provocado arrefecimento na intenção de consumo das famílias: os gastos dos consumidores aumentaram apenas 0,6% no primeiro trimestre, em relação ao trimestre anterior, perdendo força nas últimas semanas.

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