Efeitos da queda do risco Brasil

Custo do CDS, que dá ideia do risco de um calote na dívida soberana, caiu a níveis inferiores a 200 pontos

O Estado de S.Paulo

07 Novembro 2018 | 04h00

Os investidores estrangeiros veem o Brasil com mais otimismo, como evidencia a queda acentuada das cotações do CDS (credit default swaps), que reflete o custo de se proteger contra o risco de um calote na dívida soberana. O custo do CDS de cinco anos atingiu 307 pontos em 5 de setembro e agora chega a níveis inferiores a 200 pontos. Não apenas as cotações do dólar e os juros das aplicações de médio e longo prazos caíram e as ações subiram nos últimos dias, mas também melhorou a percepção de risco do País pelos credores externos.

A cotação do CDS de 195 pontos no dia 5 de novembro é um indicador muito positivo para o Brasil. Há apenas dois meses, os investidores chegaram a pagar um seguro de até 3 pontos porcentuais – ou 300 pontos – acima do juro anual de um título norte-americano de mesmo prazo.

Evolução semelhante também foi registrada na cotação dos bônus soberanos emitidos pelo Brasil medidos pelo Embi, índice de papéis de mercados emergentes calculado diariamente pelo banco JPMorgan. O índice brasileiro era de 350 pontos no início de setembro e chegou a 248 pontos em 2 de novembro.

Os dois indicadores mostram que houve uma valorização dos papéis soberanos brasileiros cotados nos mercados globais. Mostram, ainda, que o País poderá tomar recursos externos a juros menores, o que facilitará novas emissões e permitirá a realização de operações do Tesouro destinadas a reduzir o custo das emissões externas negociadas em mercado.

O período de turbulência eleitoral, quando havia grandes incertezas quanto à política econômica do novo governo, provocou um aumento substancial do risco Brasil. Em janeiro de 2018, o CDS era negociado a menos de 142 pontos, graças à situação cambial favorável e à confiança dos estrangeiros no País.

O Brasil também é avaliado pelas agências de classificação de risco, que reduziram as notas do País e só deverão aumentá-las após a melhora do quadro fiscal e uma retomada forte do crescimento.

Novas quedas do risco Brasil medidas pelo CDS e pelo Embi são possíveis no próximo governo, se adotadas políticas consistentes, a começar da reforma dos regimes previdenciários e do controle dos gastos públicos. Como resultado, governo e empresas brasileiras poderão tomar recursos a custo menor.

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