Em apuro, famílias retiram recursos das cadernetas

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O Estado de S.Paulo

13 Abril 2017 | 03h03

As retiradas líquidas nas cadernetas do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) atingiram R$ 3,5 bilhões em março e R$ 12,7 bilhões no primeiro trimestre do ano, resultado menos desfavorável do que o verificado nos primeiros trimestres de 2015 e 2016, quando os saques líquidos foram de R$ 18,5 bilhões e R$ 21,4 bilhões, respectivamente. Mas não se deve ignorar a magnitude das saídas do mês passado, que foram muito superiores às de fevereiro (R$ 486,9 milhões). Isso pode ser atribuído à lentidão da retomada econômica e ao grau de aperto dos poupadores, que buscam nas cadernetas de poupança recursos que faltam para fechar as contas do mês.

Também a poupança rural do Banco do Brasil sofreu fortes saques, que elevaram as retiradas líquidas do mês passado para quase R$ 5 bilhões.

Há mais uma notícia desfavorável às cadernetas: entre 2015 e 2016, segundo a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), reduziu-se de 62,2 milhões para 59,4 milhões o número de pessoas com contas de poupança. A fuga se deveu tanto à falta de recursos quanto à busca de aplicações com melhor remuneração.

O maior volume de saques costuma ocorrer, sazonalmente, nos primeiros trimestres de cada ano, quando são maiores as despesas das famílias com tributos e educação. Mas a fraqueza das aplicações em caderneta pode ter efeitos adversos para o mercado de imóveis.

Embora a Caixa Econômica Federal tenha anunciado a destinação, neste ano, de maior volume de empréstimos para financiar a habitação, os agentes do SBPE como um todo vêm diminuindo os empréstimos para a construção ou aquisição da moradia própria. No primeiro bimestre, os financiamentos imobiliários de R$ 6,9 bilhões foram 6% inferiores aos de igual período de 2016. Os recursos das cadernetas serão necessários para assegurar a retomada do mercado imobiliário, esperada por construtores e incorporadores para os próximos meses.

A queda acentuada da taxa básica de juro prevista para este ano deve reduzir a remuneração dos fundos de renda fixa e punir menos os aplicadores em cadernetas, que podem voltar a ser competitivas. Mas isso depende de as famílias equilibrarem o orçamento e voltarem a poupar, o que ainda não parece seguro.

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