Em novembro, a surpresa positiva do comércio

o volume de vendas do varejo restrito, que exclui veículos, peças e material de construção, cresceu 2% em relação a outubro, compensou parte da perda acumulada de 2,3% entre julho e outubro e contribuiu, segundo o IBGE, “para interromper a trajetória de queda no indicador de média móvel” registrada desde maio

O Estado de S. Paulo

12 Janeiro 2017 | 03h13

Os bons números de novembro da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) do IBGE frustraram os pessimistas e desafiaram as projeções dos analistas: o volume de vendas do varejo restrito, que exclui veículos, peças e material de construção, cresceu 2% em relação a outubro, compensou parte da perda acumulada de 2,3% entre julho e outubro e contribuiu, segundo o IBGE, “para interromper a trajetória de queda no indicador de média móvel” registrada desde maio. Na média, projeções do mercado apontavam alta entre 0,3% e 0,4%.

Não resta dúvida de que as promoções de venda da Black Friday explicam, mas apenas em parte, a reação favorável do mês. Especialistas voltam a admitir que, por pior que tenha sido 2016 e por piores que sejam as comparações com 2015 e anos anteriores, o varejo parece ensaiar uma recuperação. Os analistas do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) falaram em “algum alento”.

Na comparação entre os últimos 12 meses, até novembro de 2016, com os 12 meses anteriores, o varejo restrito caiu 6,5% e o ampliado cedeu 9,1%. Mas, entre outubro e novembro, cinco dos oito setores pesquisados apresentaram alta, a começar de hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (+0,9%), que representam metade das vendas do comércio restrito.

Maior influência das promoções de vendas apareceram em equipamentos de escritório, informática e comunicação (+4,3%) e móveis e eletrodomésticos (+2,1%). Mas foi fraco o comportamento das vendas de tecidos, vestuário e calçados (-1,5%) e houve pequenas quedas em combustíveis e lubrificantes (-0,4%) e livros, jornais, revistas e papelaria (-0,4% também).

No varejo ampliado, as vendas de veículos e motos, partes e peças caíram 0,3% no mês, mas as de material de construção aumentaram 7,2%.

Obstáculos como o desemprego, a redução lenta do endividamento das famílias e dos juros dos financiamentos, além da desconfiança dos consumidores quanto ao futuro, limitam a retomada. Mas, se a inflação der alguma trégua e os indicadores industriais fornecerem sinais mais promissores, cria-se um ambiente melhor já para este semestre.

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