Em outubro, a queda da inflação mal se refletiu no varejo

O desempenho do comércio varejista avaliado pela Pesquisa Mensal do Comércio do IBGE deixou a desejar

O Estado de S.Paulo

17 Dezembro 2016 | 04h00

O desempenho do comércio varejista avaliado pela Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) do IBGE deixou a desejar. Em outubro, não refletiu a desaceleração dos preços, em especial de alimentos, nem as perspectivas mais bem indicadas em outros levantamentos, como os da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (FecomercioSP), cujo Índice de Expansão do Comércio mostrou mais confiança dos empresários paulistanos.

Segundo a PMC, o volume de vendas do comércio restrito, que não inclui autos e material de construção, caiu 0,8% entre setembro e outubro e 6,8% nos últimos 12 meses, comparativamente aos 12 meses anteriores, com ajustes sazonais. Na mesma base de comparação, o varejo ampliado caiu menos em relação a setembro (0,3%), mas nos últimos 12 meses recuou 9,8%.

O que ajuda a explicar a divergência entre as pesquisas é que a situação do varejo no Estado de São Paulo é menos ruim, com quedas de 0,1% no mês e de 6,4% em 12 meses, inferiores às quedas no País.

Cabe, assim, acompanhar as tendências do varejo em São Paulo – historicamente, a recuperação da atividade costuma surgir antes nos Estados mais desenvolvidos. Por razões óbvias, isso não está ocorrendo agora no Rio, cujos números abaixo da média nacional decorrem da falência do Estado e da protelação do pagamento de salários, proventos da inatividade e pensões.

O comércio foi influenciado pelo mau desempenho do item hiper, supermercados, produtos, alimentícios, bebidas e fumo, cujas vendas representam cerca da metade do varejo restrito e caíram 0,6% no mês e 3,5% em 12 meses. Foram substanciais as quedas do item combustíveis e lubrificantes (1,7% e 10%). Os artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria, que resistiam às quedas, cederam 0,1% no mês e 0,8% em 12 meses.

O que se constata é que as famílias, em especial as mais atingidas por desemprego e perda de renda, cortam até o consumo de bens essenciais para equilibrar o orçamento e evitar dívidas a juros brutais.

É provável que o pagamento do 13.º salário resulte em alguma melhora do varejo no último bimestre, mas a recuperação demora.

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