Em São Paulo, queda da indústria foi muito forte

Segundo o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial, a indústria de São Paulo está em 'marcha à ré'

O Estado de S.Paulo

13 Novembro 2018 | 04h00

Produtos alimentícios e derivados de petróleo foram determinantes da expressiva queda da produção industrial de São Paulo verificada em setembro. O recuo paulista foi tão forte que empurrou para baixo a produção industrial do País, com queda de 2% entre setembro de 2017 e setembro de 2018, segundo a Pesquisa Industrial Mensal Regional – Produção Física do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Na composição da taxa de crescimento da indústria em São Paulo, o item produtos alimentícios registrou recuo de 5,81% entre setembro de 2017 e setembro de 2018, de 1,48% no acumulado de nove meses de 2017 e de 2018 e de 1,05% nos últimos 12 meses, até setembro, comparativamente aos 12 meses anteriores.

O segundo pior indicador foi o do item coque, produtos derivados de petróleo e biocombustíveis, com queda de 2,66% entre os meses de setembro de 2017 e de 2018 e altas pouco expressivas nas comparações entre os três primeiros trimestres dos dois anos e os últimos 12 meses.

O Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) diz que a indústria de São Paulo está em “marcha à ré”. O Estado responde por cerca de 30% da produção da indústria brasileira.

Entre agosto e setembro deste ano, a indústria do País cresceu em oito Estados ou regiões e caiu em sete. Altas expressivas só ocorreram no Ceará (+3,7%) e no Pará (+3,5%). No período, entre os Estados mais fortes, São Paulo, Paraná e Minas Gerais caíram mais.

Na comparação entre os últimos trimestres e iguais trimestres do ano anterior, a evolução ainda é positiva, mas cadente. De 5% no último trimestre de 2017 passou a 2,8% no primeiro trimestre de 2018, a 1,7% no segundo trimestre e a apenas 1,2% no terceiro trimestre deste ano. Pelo mesmo critério de comparação, os piores resultados do terceiro trimestre de 2018 foram registrados em São Paulo, Minas Gerais, Goiás e Amazonas.

Os números mostram que a recuperação industrial ocorre em ritmo muito lento, sendo inferior à do varejo e do setor de serviços. Sem uma contribuição mais forte do setor secundário e dos Estados mais industrializados, o Produto Interno Bruto (PIB) também sofrerá, ainda que o peso da indústria nesse indicador já tenha caído nesta década, chegando a 11,8% em 2017 após atingir 20% nos anos 1980.

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