Emprego é o último a melhorar

Em vez de surpreenderem, os indicadores sofríveis do emprego com carteira assinada, registrados em junho no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho, devem ser vistos com certa naturalidade.A recuperação do nível de contratações vem depois, nunca antes da recuperação da economia - e isso vale tanto para o Brasil como para outros países. Nos Estados Unidos, o presidente Barack Obama admitiu que o desemprego continuará em alta, mesmo que a economia já esteja saindo do fundo do poço.A geração de 119,4 mil vagas com carteira assinada no Brasil, no mês passado, ante 131,5 mil, em maio, foi o pior resultado em 10 anos. Às vésperas da divulgação desse dado, um presidente da República mal informado previu que 136 mil vagas haviam sido criadas, "para o desespero da oposição", afirmou Lula na terça-feira, em Maceió.No primeiro semestre foram registrados 299,5 mil trabalhadores, com saldo positivo em serviços (235,4 mil), agropecuária (128,8 mil), construção civil (78,4 mil) e administração pública (31,1 mil). Mas a indústria de transformação cortou 144,4 mil vagas e o comércio e a extração mineral também demitiram.No auge da crise, entre novembro de 2008 e janeiro de 2009, quase 800 mil vagas formais foram eliminadas e apenas a metade foi reposta entre fevereiro e junho. O saldo negativo, desde novembro, é de 396 mil vagas, sem contar o pessoal que procurou o mercado em 2009 e não encontrou trabalho.Nos últimos 12 meses, até junho, o saldo líquido de trabalhadores registrados foi de apenas 390 mil, destacando-se as atividades mais mal remuneradas (serviços, comércio e construção civil).A agropecuária contribuiu com 40% da geração de emprego no primeiro semestre de 2009, mas, em 12 meses, cortou quase 80 mil vagas. Ou seja, o saldo positivo deste ano pode ter sido apenas sazonal.Mesmo analistas otimistas com a recuperação do mercado neste semestre julgam improvável um saldo positivo de 1 milhão de vagas em 2009, como previu o ministro do Trabalho, Carlos Lupi. Sazonalmente, novembro e dezembro são desfavoráveis para contratações.Entre 2004 e 2008, o saldo líquido de vagas formais aumentou entre 1,2 milhão e 1,6 milhão por ano, mais que o dobro dos 645 mil postos de 2003, primeiro ano da era Lula. Mas é provável que o saldo de 2009 seja mais próximo do de 2003, o menos favorável dos últimos anos.

, O Estadao de S.Paulo

18 de julho de 2009 | 00h00

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