Emprego industrial cresce sem muita sustentação

Os indicadores de 2010 do emprego industrial, que cresceu 3,4% em relação a 2009 e atingiu o maior patamar nos oito anos da Pesquisa Industrial Mensal de Emprego e Salário (Pimes), do IBGE, foram, sem dúvida, muito bons, mas o problema é saber se são sustentáveis. Já houve desaceleração do indicador no segundo semestre e o ritmo da economia deverá, neste ano, ser menor que o do ano passado, induzindo grande parte das indústrias a maior cautela na abertura de vagas.

, O Estado de S.Paulo

12 Fevereiro 2011 | 00h00

O mercado interno foi o grande responsável pela oferta de emprego registrada nas 14 regiões pesquisadas, todas com resultados positivos. No Estado de São Paulo, com maior peso relativo, o crescimento do emprego foi liderado pelos setores de meios de transporte, graças à produção automobilística e de máquinas e equipamentos, por causa da recuperação dos investimentos. Seguiram-se a Região Nordeste, com destaque para calçados e couro, minerais não metálicos e vestuário; Minas Gerais, com produtos de metal e meios de transporte; as Regiões Norte e Centro-Oeste (agrupada no levantamento), com produtos de metal, máquinas e aparelhos eletroeletrônicos e de comunicações; além do Rio Grande do Sul e Santa Catarina (máquinas, equipamentos, meios de transporte e vestuário) e o Rio de Janeiro.

O IBGE observou um aumento do número de horas pagas de 4,1% entre 2009 e 2010 e um crescimento da folha de pagamento real de 6,8%, no mesmo período. Ainda assim, não há uma avaliação comum sobre o comportamento da indústria no ano passado. Segundo o Iedi, houve a perda do ritmo de crescimento do emprego a partir de agosto. Já a Confederação Nacional da Indústria (CNI), em relatório divulgado um dia antes da saída da Pimes, mostrou avanço do emprego de 5,4%; da massa salarial, de 5,9%; e do rendimento médio real, de 0,5%.

Alguns setores, em especial aqueles ligados à mineração, de fato se beneficiaram com as cotações altas das commodities: a folha de pagamento real da indústria extrativa, por exemplo, cresceu 64,7%, em Minas. Mas, ao mesmo tempo, o IBGE constatou perda de dinamismo em segmentos como máquinas e equipamentos, indústrias extrativas e, até, refino de petróleo e produção de álcool, apesar do aumento de consumo.

Nos próximos meses, juros mais altos e prazos mais curtos do crédito afetarão negativamente a indústria, também ameaçada pelo aumento da inflação. Se isso se confirmar, não se devem excluir novas medidas restritivas por parte do governo, para evitar um descontrole macroeconômico.

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