Emprego na indústria tem queda em maio

A grande questão é como reagirá o emprego diante da crise política que retarda as reformas trabalhista e previdenciária e alimenta desconfiança e insegurança no meio empresarial e entre os consumidores

O Estado de S.Paulo

20 Junho 2017 | 05h08

O crescimento do emprego na indústria paulista permanece muito frágil, refletindo o tímido aquecimento da demanda. Com o fim da safra agrícola em maio, as contratações no setor de açúcar e álcool arrefeceram, o que resultou na perda líquida de 3 mil vagas na indústria instalada no Estado de São Paulo, uma queda de 0,13% em relação a abril, na série sem ajuste sazonal, segundo a Pesquisa de Nível de Emprego feita pelo Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecom) da Fiesp. Com ajuste sazonal, o baque é de 0,30%.

A indústria paulista continua, porém, a apresentar um saldo positivo no acumulado do ano, com 19,5 mil contratações de janeiro a maio. Tomando apenas maio, em comparação com igual mês de 2016, porém, houve recuo de 4,7%, com o fechamento de 92,5 mil vagas.

O setor sucroalcooleiro tem um peso considerável no emprego no Estado e, em abril, as usinas admitiram 7,7 mil trabalhadores. Em maio, as contratações não foram interrompidas, mas foram bem menores (1.077) e, segundo estimativa do diretor do Depecom, Paulo Francini, se não fossem esses novos empregos, as demissões no mês passado passariam de 4 mil.

Não há sinais firmes de recuperação do emprego na indústria paulista. Em maio, entre os 22 setores acompanhados pela pesquisa, 8 apresentaram resultados positivos, em outros 8 foram negativos e em 6 mantiveram-se estáveis. Ocorre que, entre os setores da indústria de transformação que estão empregando, à exceção da indústria de alimentos (que contratou 878 empregados) e do setor têxtil (736 contratações), os números não são significativos. Outros têm sido obrigados a demitir, como a indústria de máquinas e equipamentos (-1.932) e a de veículos automotores, reboques e carrocerias (-1.138).

A despeito dos baixos níveis de renda da população em geral, que deprimem o consumo, nota-se maior demanda de produtos básicos e de artigos de vestuário, em razão da chegada do inverno. Mas, como se tem verificado nos últimos anos, tem sido ínfima a procura por itens de maior valor. Isso, por sua vez, deprime os investimentos em bens de capital.

A grande questão é como reagirá o emprego diante da crise política que retarda as reformas trabalhista e previdenciária e alimenta desconfiança e insegurança no meio empresarial e entre os consumidores.

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Editorial Econômico Paulo Francini

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