Empresas menores puxam o emprego

Empresas de menor porte geraram 47,4 mil postos de trabalho com carteira assinada em março, crescimento de 127% em relação ao mesmo período de 2017

O Estado de S.Paulo

28 Abril 2018 | 04h00

A reação das micro e pequenas empresas à ativação da economia nos últimos meses tem sido consideravelmente mais forte que nas médias e grandes. Segundo dados do Sebrae, com base no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho, as empresas de menor porte geraram 47,4 mil postos de trabalho com carteira assinada em março, elevando o total a 196 mil no primeiro trimestre, um crescimento de 127% em relação ao mesmo período do ano passado.

Esse desempenho não chega a constituir novidade, pois são os pequenos negócios que puxam o emprego no País, como lembrou o presidente do Sebrae, Guilherme Afif Domingos. Na sua opinião, a aprovação do parcelamento de débitos tributários pelo Refis, que acabou também beneficiando as empresas inscritas no regime do Simples Nacional ou Supersimples, pode estimular esse papel das empresas menores.

O resultado do primeiro trimestre é tanto mais significativo porque o comércio apresentou saldo negativo entre dispensas e admissões de 3,6 mil funcionários em março. De qualquer forma, esse saldo no pequeno varejo no mês passado foi inferior ao de fevereiro, quando chegou a 15,5 mil. O que se tem notado na área comercial é um aumento da informalidade, tanto no que diz respeito ao movimento de vendas, com maior ação de ambulantes e camelôs, como na contratação provisória de pessoal pelos pequenos varejistas para atendimento em datas comemorativas.

Como tem ocorrido ultimamente, foi o setor de serviços que gerou mais emprego nas micro e pequenas empresas (mais 34,3 mil vagas), com destaque para as escolas e cursos. Com a volta às aulas, 12,2 mil vagas foram criadas para professores e auxiliares. Seguem-se as empresas que operam no ramo imobiliário (11,6 mil pessoas). Na indústria de transformação, foram criadas 8,3 mil novas vagas e 6 mil na construção civil, área que revela um certo alento, embora esteja longe de uma recuperação.

Se o nível de ocupação nas micro e pequenas empresas é animador, ainda é cedo para discernir uma tendência positiva entre as empresas maiores. Em março, houve uma melhora nas médias e grandes companhias com a contratação líquida de 5 mil trabalhadores, mas o saldo entre admissões e dispensas nesse segmento continua negativo.

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