Endividamento cai, mas ainda é muito elevado

Em outubro, porcentual de endividados caiu 58,2% para 57,7%, mas comparação com anos passados justifica apreensões

O Estado de S. Paulo, O Estado de S.Paulo

06 Novembro 2016 | 07h08

Em outubro, 9,7 milhões de famílias brasileiras tinham dívidas e 1,479 milhão declarava não dispor de condições para pagá-las, segundo pesquisa da Confederação Nacional do Comércio (CNC). Houve queda em relação a setembro: o porcentual de endividados caiu de 58,2% para 57,7% e o daqueles que não poderiam quitar as dívidas diminuiu de 9,6% para 9,4%. Mas o porcentual de endividados ainda é alto, assim como o número absoluto de famílias em apuros financeiros. A comparação com anos passados justifica apreensões.

O superendividamento das famílias é herança do lulopetismo, que estimulou a busca de empréstimos para financiar o consumo. Linhas de menor custo como no crédito consignado para trabalhadores com carteira assinada e aposentados favoreceram tomadores, mas, com a recessão iniciada em 2014, a situação financeira das famílias se complicou.

Em outubro de 2014, apenas 767 mil famílias não tinham condições de pagar as dívidas, cerca da metade das que se encontram, hoje, na mesma condição. Em outubro de 2015, esse número era de 1,241 milhão de famílias, quase 240 mil menos do que hoje.

No mês passado, do total de famílias pesquisadas, 23,8% tinham dívidas ou contas em atraso, porcentual menor que o de setembro (24,6%), mas superior ao de outubro de 2015 (23,1%). O que se constata é que os brasileiros têm feito um enorme esforço para regularizar suas dívidas. Mas, numa conjuntura difícil, em que predominam o desemprego e a perda de renda real, o esforço nem sempre é bem-sucedido. Alguns fatos ajudam a explicar o problema.

Primeiro, a alta de juros dos últimos dois anos dificultou a quitação de dívidas, restando as renegociações de empréstimos como alternativa. Segundo, o endividamento com cartão de crédito é citado por 77,1% das famílias endividadas, sendo a mais onerosa das linhas de financiamento, com juros médios de 480% ao ano – e poucos podem pagar juros tão expressivos. Terceiro, o comprometimento da renda das famílias com empréstimos é alto (22,2% em agosto, segundo o Banco Central). Nos países ricos, era de 15% em 2015, segundo o Banco de Compensações Internacionais (BIS). 

Qualquer melhora nas finanças familiares é um fato positivo. Mas há pela frente um bom caminho até que o nível de endividamento se torne mais compatível com a evolução da renda pessoal.

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