Enel promete investir pesado na Eletropaulo

Há necessidade premente de recursos para sanar notórias deficiências na rede da Eletropaulo

O Estado de S.Paulo

09 Junho 2018 | 04h00

Enquanto a privatização da Eletrobrás não avança, travada pelo clientelismo político, a venda de 73,38% das ações da AES Eletropaulo para a italiana Enel por R$ 5,55 bilhões, em leilão realizado na Bolsa de Valores (B3) no último dia 4, mostra quanto o País pode beneficiar-se pela dinâmica dos negócios privados. Em primeiro lugar, deve-se mencionar o compromisso da Enel em investir US$ 900 milhões entre 2019 e 2021 na ampliação e modernização da rede de distribuição da Eletropaulo, que inclui a cidade de São Paulo e 23 municípios da região metropolitana. 

A decisão da Enel merece destaque não só em vista da carência de investimentos em infraestrutura no País nesta fase de lenta recuperação da economia, mas porque há necessidade premente de recursos para sanar notórias deficiências na rede da Eletropaulo.

A distribuidora, por sinal, está hoje entre as piores no ranking da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) quanto à qualidade dos serviços prestados aos consumidores.

Em parte, esses investimentos, que incluem o emprego de novas tecnologias, como digitalização da rede, serão financiados por um aumento de R$ 1,5 bilhão do capital da Eletropaulo a ser feito em breve, prevendo-se também revisão de tarifas à medida que as melhoras forem sendo implantadas. 

Há ainda outro importante aspecto a salientar. Embora a Eletropaulo venha sendo gerida pela norte-americana AES, o BNDESPar passou a ser o seu principal acionista desde o início deste ano quando a matriz da multinacional reduziu sua participação na distribuidora. 

Isso significa que a venda por um preço de R$ 45,22 por ação, considerado muito bom, proporcionará recursos para o banco de fomento, hoje detentor de 18,73% das ações, num montante de R$ 1,5 bilhão, segundo estimativas do mercado.

Também o caixa do Tesouro deve ser reforçado em R$ 603 milhões, uma vez que a União possui 7,97% do capital da distribuidora. A fatia da AES é de 16,84% do capital, equivalente a R$ 1,27 bilhão, e os minoritários respondem por 49,58%. Não foram vendidas ações incluídas em espólio ou sob interdição judicial.

Antes de chegar a São Paulo a Enel já atuava nos Estados do Rio de Janeiro, Ceará e Goiás, passando agora a atender 17 milhões de consumidores no País, superando a CPFL Energia, controlada pela chinesa State Grid.

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