Ênfase na retomada do investimento

A tendência é de “recuperação gradual” da economia, que deverá crescer 2,7% em 2018, segundo a IFI

O Estado de S.Paulo

16 Março 2018 | 03h00

A retomada do crescimento da economia brasileira no quarto trimestre de 2017 foi estimulada não apenas pelo consumo, mas também pelo investimento – ou seja, pela Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF). Esta voltou a crescer após 14 trimestres consecutivos de declínio, segundo o Relatório de Acompanhamento Fiscal da Instituição Fiscal Independente (IFI), órgão do Senado Federal. O relatório da IFI se segue à divulgação de outros indicadores que já tratavam da volta do investimento, como os do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

A tendência é de “recuperação gradual” da economia, que deverá crescer 2,7% em 2018, segundo a IFI. Entre o terceiro e o quarto trimestres de 2017, sob a óptica da demanda, o crescimento mais forte foi o dos investimentos (+2%). Esse porcentual atingiu 4,2% quando se comparam os anos de 2016 e 2017, mas o investimento ainda está distante do alcançado em 2014, dadas as “incertezas que ainda circundam o quadro interno”.

Entre o fim de 2014 e o fim de 2017, as exportações cresceram 19,1% e as importações caíram 12,2%. Mas o avanço das importações a partir de 2017 fez cair “a zero a contribuição das exportações líquidas para o crescimento real do PIB”, analisa a IFI.

A indústria – grande contribuinte tributária – ensaia uma recuperação, mas, como perdeu peso no PIB nos últimos anos, só nos últimos meses tem ajudado a situação fiscal.

A IFI observa que a melhora do quadro fiscal ainda é muito dependente de “receitas não recorrentes” (ou seja, esporádicas, como as provenientes dos programas de parcelamento de dívidas dos Refis e da variação das cotações do petróleo).

Embora a previsão seja de que o déficit primário de 2018 possa ser contido nos limites do teto de R$ 159 bilhões, os riscos fiscais continuam sendo elevados. Entre esses riscos estão a superestimação da receita por parte da União, despesas inesperadas provenientes de decisões judiciais e passivos extraordinários, como os decorrentes de atraso, por Estados, do pagamento de financiamentos garantidos pela União. As garantias a Estados, municípios e entidades da administração indireta somavam R$ 301 bilhões em dezembro de 2017. Como exemplo do risco, a inadimplência do Rio impôs ao Tesouro honrar débitos de R$ 6,4 bilhões em 2017.

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