Esperança para a Zona Lost

O governo do Estado de São Paulo e a Prefeitura da capital investirão um total de R$ 478 milhões em obras do Plano Municipal de Desenvolvimento da Zona Leste. É mais uma promessa de melhorar a vida de uma região historicamente ignorada. Zona Lost é o apelido dado pelos moradores àquela parcela da metrópole que, se fosse um município, seria o quarto mais populoso do Estado, com mais de 4 milhões de habitantes.

, O Estado de S.Paulo

25 Abril 2011 | 00h00

Desde o século 19, a região fornece mão de obra para o sudoeste da cidade, que oferece mais empregos e onde moram pessoas de renda mais alta. Apesar disso, sempre foi desprezada nos planos de transporte público e melhoria viária elaborados nas últimas décadas. É comum esses trabalhadores perderem quatro horas por dia nos deslocamentos entre a casa e o trabalho.

É precisa a expressão Zona Lost para definir o conjunto de bairros que começa nos famosos Brás e Mooca e se estende por Cangaíba, Sapopemba, São Miguel Paulista, chegando até aos mais carentes Jardim Imperador e Vila Rica.

Até o século 19, a região era predominantemente rural. Sua ocupação começou a partir de 1867, com a inauguração da Ferrovia Santos-Jundiaí, construída para escoar a produção de café do Estado. Uma década depois, outra ferrovia, a Estrada de Ferro do Norte, cruzou a região, e o núcleo habitacional do Brás tornou-se o ponto de conexão entre as duas vias férreas.

A imigração europeia e a instalação de indústrias próximas às ferrovias fizeram a região crescer aceleradamente. Ao longo do século 20, a ocupação se intensificou como consequência do boom industrial. Migrantes atraídos pela oferta de emprego e moradores deslocados pela valorização dos imóveis em outros bairros ou na região central da cidade se instalaram por ali, em uma malha urbana desordenada, mal equipada e com infraestrutura precária.

Enquanto obras viárias, de transporte público e de serviços beneficiavam o sudoeste da capital, nas franjas da zona leste surgiam "cidades" desconectadas, como o conjunto habitacional Cidade Tiradentes, com mais de 200 mil habitantes, a 35 quilômetros do centro, e que não conta com adequada estrutura de transporte ou de serviços públicos.

A população cresceu; a oferta de empregos, não. E a zona leste se transformou num grande gargalo de trânsito e transporte. O metrô também chegou atrasado e, quando foi inaugurado, já estava superlotado. Assim é até hoje. Milhões de pessoas convergem, diariamente, para a Radial Leste, onde automóveis e ônibus andam vagarosamente, ou para os vagões de trens e metrô, onde viajam sempre espremidos. A primeira estação do metrô, em Itaquera, foi inaugurada em 1988 na região e somente 22 anos depois a segunda, na Vila Prudente, entrou em operação. A demanda reprimida é grande.

A criação de empregos e dos serviços seria a única saída para a zona leste. Evitar os grandes deslocamentos por meio do desenvolvimento da região é tese defendida pelos urbanistas há décadas, mas nunca adotada pelos governos.

Agora, com a escolha da zona leste para a construção de um dos estádios que abrigarão jogos da Copa do Mundo de 2014, surgem esperanças de que a Zona Lost seja devidamente lembrada. O tempo é curto e o investimento, aquém do necessário, mas pode ser um começo.

O prazo de conclusão de algumas das obras previstas é junho de 2013. Entre elas estão as novas alças de ligação no cruzamento das Avenidas Jacu-Pêssego e Nova Radial, a nova avenida de ligação norte-sul e a avenida articulando a ligação norte-sul com a Avenida Miguel Inácio Curi. Há ainda o Polo Institucional da zona leste onde serão concentrados equipamentos públicos, em parcerias com instituições privadas. O principal objetivo é organizar um centro educacional para a formação e capacitação profissional. Fórum judiciário, rodoviária, Fatec, Senai, incubadoras, centros de convenções, entre outros equipamentos, também estão previstos.

É uma nova esperança de que a região se desenvolva.

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