Esperando Papai Noel

Se Papai Noel surpreender e o fim de ano for melhor que o previsto neste momento, talvez o quarto trimestre seja o mais próspero de 2016, mas por enquanto há pouco entusiasmo nas apostas

O Estado de S.Paulo

22 Outubro 2016 | 04h07

Se Papai Noel surpreender e o fim de ano for melhor que o previsto neste momento, talvez o quarto trimestre seja o mais próspero de 2016, mas por enquanto há pouco entusiasmo nas apostas. As contratações para o período das Festas devem ser menores que as do ano passado e ficar em torno de 135 mil, segundo a última estimativa publicada pela Confederação Nacional do Comércio (CNC). Serão, nesse caso, parecidas com as de 2012. No terceiro trimestre, pelos números divulgados até agora, a economia ainda continuará a encolher – hipótese reforçada, nesta semana, por mais um Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br). O indicador diminuiu 0,91% de julho para agosto. No ano, ficou 5,42% abaixo do período correspondente de 2015. O recuo em 12 meses chegou a 5,6%. Todos esses números são da série com ajuste sazonal.

Os dados oficiais do PIB do terceiro trimestre devem ser anunciados no fim de novembro pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O IBC-Br funciona como prévia e tem servido como um bom sinalizador de tendência. A continuidade da recessão até agosto parece indiscutível. Além disso, os poucos números setoriais de setembro e outubro já conhecidos – e produzidos principalmente por fontes privadas – confirmam a persistência de um nível de atividade muito baixo. O índice de confiança do empresário industrial apurado em outubro foi 1,4 ponto menor que o de setembro, informou a Confederação Nacional da Indústria (CNI). O número, 52,3, permaneceu na zona de otimismo, isto é, acima de 50. A queda foi registrada depois de cinco meses de aumento.

Um dia depois a mesma fonte publicou a sondagem industrial de setembro, confirmando a dificuldade de se “iniciar um ciclo sustentado de recuperação”. Os únicos dados positivos são a manutenção dos estoques nos níveis desejados, mais pela baixa produção do que por aumento das vendas, e maior satisfação com a margem de lucro e a situação financeira. A produção continuou caindo. O índice de evolução ficou em 45,8 pontos. Na comparação com igual mês de 2015, superou o registrado em agosto (42), mas continuou abaixo de 50, divisor das avaliações negativas e as positivas.

A indústria permaneceu com apenas dois terços de ocupação da capacidade produtiva. Poderá, portanto, entregar mais produtos, quando a demanda voltar a crescer, sem precisar, durante algum tempo, de mais equipamentos, máquinas e instalações. Continua muito baixa, portanto, a disposição de comprometer capital em novos investimentos produtivos. O índice de intenção de investimento ficou em 43,5 pontos, tendo oscilado dentro da margem de erro, e manteve-se 4,2 pontos abaixo da média histórica. Superou por 2,8 pontos, no entanto, o de outubro de 2015, mas isso de nenhum modo justifica celebrações nas empresas fabricantes de bens de capital.

Uma semana antes a CNI havia divulgado suas novas estimativas de desempenho econômico em 2016. Houve uma pequena melhora no cenário da recessão. Pelas novas contas, o PIB deve encolher 3,1% neste ano. A projeção anterior apontava um recuo de 3,5%. A variação prevista para a produção industrial passou de -5,4% para -3,7%. O investimento geral em máquinas, equipamentos e obras, medido pela formação bruta de capital fixo, diminuirá 11%. No cenário anterior, publicado em julho, apontava-se uma diminuição de 13,9% em relação ao valor de 2015.

Vale a pena destacar dois pontos. Várias sondagens apontaram mudança de humor dos empresários a partir do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. O aumento de confiança é um importante fator para a recuperação da economia, numa fase de ajustes complicados e penosos. O governo tem de produzir fatos positivos, com rapidez, para evitar a perda desse ativo. Em segundo lugar, a baixa disposição de investir confirma, ainda uma vez, um dado crucial: caberá ao governo, com o programa de concessões, desencadear a recuperação do investimento. Qualquer demora custará muito.

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