Estabilização do comércio depende de novos sinais

Ao lado de indícios de dificuldade visíveis a olho nu, como a queda da circulação de pessoas até nos shopping centers mais conhecidos, surgiram nos últimos dias leves sinais de que o pior período poderá estar passando

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14 Dezembro 2016 | 03h15

Responsável por cerca de 10% do Produto Interno Bruto (PIB), o varejo é um dos melhores termômetros do ritmo da atividade econômica e um dos setores que mais vêm sofrendo com a recessão. Mas ao lado de indícios de dificuldade visíveis a olho nu, como a queda da circulação de pessoas até nos shopping centers mais conhecidos, surgiram nos últimos dias leves sinais de que o pior período poderá estar passando. É o que sugerem pesquisas da FecomercioSP e da consultoria Serasa Experian.

O Índice de Intenção de Consumo das Famílias (ICF) da FecomercioSP avançou apenas 0,5% entre outubro e novembro, mas foi a quinta alta mensal consecutiva e a marca alcançada (73,9 pontos) é a maior desde julho de 2015. Ainda está abaixo dos 100 pontos que separam os campos positivo e negativo, mas o fato de haver alguma recuperação não deve ser ignorado. Além disso, dada a continuidade das razões do declínio, não seria imaginável uma retomada rápida.

Três motivos se destacam para justificar expectativas menos desfavoráveis. Primeiro, os paulistanos estão menos inseguros com os empregos do que em igual período do ano passado: o índice de Emprego Atual, um dos componentes do índice da FecomercioSP, chegou a 98,6 pontos. Segundo, a Perspectiva Profissional para os próximos seis meses chegou a 108,1 pontos, 18,4% superior à de igual período de 2015. Terceiro, a Perspectiva de Consumo, embora baixa (68,9 pontos), é 51,6% maior do que a de igual período de 2015.

O nível de desemprego não alimenta o otimismo, mas a queda da inflação já é percebida por trabalhadores que mantiveram o emprego. Isso ajuda a explicar o aumento da atividade do comércio na promoção Black Friday, quando as vendas foram 11% superiores às do ano passado, segundo a Serasa Experian.

Entre setembro e outubro, informa a consultoria, também houve aumento da demanda dos consumidores por crédito, de 6,1% na média e de 8,5% nas faixas de rendimento de até R$ 500,00 mensais.

Especialistas em varejo enfatizam que o momento ainda é preocupante e que um crescimento expressivo das vendas não é para já. Mas, para antever a retomada, novos sinais positivos não podem tardar.

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