Expansão da telefonia

Em janeiro, o número de telefones em operação no Brasil superou a população. Segundo a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), com 41,3 milhões de telefones fixos e 151,9 milhões de celulares, o total atingiu 193,2 milhões de aparelhos, mais do que a população, de 191 milhões de habitantes. Em muitos países, há bastante tempo já existem mais telefones celulares do que o total de habitantes, mas, no Brasil, o resultado alcançado em janeiro, que soma os aparelhos fixos e móveis, é o produto de uma verdadeira revolução, provocada pela privatização do sistema de telefonia.Há pouco mais de dez anos, quando praticamente toda a telefonia nacional era dominada pela Telebrás, quem quisesse adquirir uma linha de telefonia fixa precisava cadastrar-se na empresa local (controlada pela estatal federal) e aguardar a execução dos planos de expansão, que podia demorar até quatro anos, por causa da ineficiência do sistema e da insuficiência de investimentos. O interessado pagava uma taxa de inscrição que podia chegar a R$ 1.100, devolvida na época da instalação do aparelho, mas convertida em ações da Telebrás. A lentidão das empresas estatais estimulava um ativo mercado paralelo de venda e aluguel de linhas fixas, no qual se pagava até R$ 4 mil para obter mais depressa o telefone.Conseguir uma linha de telefone móvel, uma novidade no País daqueles tempos, era ainda mais difícil e o preço, por isso, era proibitivo para a maioria da população, pois chegava a US$ 4 mil (a cotação, muitas vezes, era feita em dólares).A privatização facilitou o acesso ao telefone, fixo e móvel. Em 1997, antes dela, havia no Brasil 17 milhões de linhas fixas em serviço e 4,5 milhões de telefones celulares. A população era de 160 milhões de habitantes. Com a transferência das operadoras estatais para o setor privado e com a abertura do mercado para a operação da telefonia celular, iniciada em 1998, a expansão passou a ser muito rápida e os preços despencaram, graças aos investimentos das empresas particulares que entraram no ramo, à competição que se estabeleceu entre elas e às regras estabelecidas para sua operação e cujo cumprimento é fiscalizado pela Anatel.As concessionárias têm prazo de três a sete dias para instalar um telefone fixo em localidades com mais de 300 habitantes e não vendem a linha (cobram apenas uma taxa de instalação de, no máximo, R$ 100). Obtêm sua receita com a venda de serviços. No caso do telefone celular, muitas operadoras oferecem o aparelho praticamente de graça, pois seu faturamento vem basicamente do uso de seus serviços.A quantidade de aparelhos fixos em operação no País cresceu 143% em menos de 11 anos. O número de telefones celulares cresceu muito mais, 3.275%, graças à concorrência - muito mais intensa do que no sistema fixo, onde a constituição de monopólios naturais dificultou a competição -, à oferta de aparelhos e serviços mais adequados para as diferentes faixas de usuários e à rápida evolução tecnológica, que reduziu os custos de produção e as dimensões do aparelho e ampliou seus recursos.Dados de outros países indicam que ainda há muito espaço para a expansão da telefonia, especialmente a móvel. Na Itália, por exemplo, há 157 celulares por 100 habitantes. Na América Latina, foi na Argentina que o uso do telefone celular mais se disseminou, atingindo hoje 112 celulares por 100 habitantes. No Brasil, a relação é de 80 aparelhos por 100 habitantes.Apesar de o número de celulares em serviço ser quase 4 vezes superior ao de aparelhos fixos, as receitas das operadoras de telefonia móvel ainda não superaram as das teles fixas. Isso porque cerca de 40% dos assinantes dos serviços pré-pagos utilizam o celular apenas para receber ligações. As operadoras de celulares preveem que só em 2009 passarão a faturar mais do que as de telefones fixos.Por causa da crise, o mercado de aparelhos celulares deve registrar em 2009 a primeira queda de vendas desde que o sistema começou a funcionar no País. Mas, embora mais lentamente do que nos anos anteriores, o número de linhas de celulares continuará a crescer. Prevê-se que, neste ano, serão mais 25 milhões.

, O Estadao de S.Paulo

03 de março de 2009 | 00h00

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