Expansão imobiliária dispensa incentivos

O governo anunciou a prorrogação do incentivo do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para materiais de construção, de junho para dezembro, aceitando o argumento de que os consumidores antecipam as compras e já faltam produtos nas lojas. Mesmo com o incentivo do IPI, concedido em abril de 2009, subiram os preços de tijolos, ferramentas, material elétrico e hidráulico.

, O Estado de S.Paulo

17 Abril 2010 | 00h00

A decisão tributária fez parte da chamada política anticíclica da Fazenda para combate à recessão, contrastando com a situação atual, em que o ritmo da construção civil dispensa incentivos. Foi o que mostraram os dados de fevereiro do Sindicato da Construção (Secovi), apontando para um crescimento substancial da venda de imóveis novos na cidade de São Paulo, de 89,5% em relação a janeiro e de 83,7% em relação a fevereiro de 2009.

A pesquisa do Secovi é um bom termômetro para os imóveis destinados à classe média, predominando a comercialização de unidades de 2 e 3 dormitórios (75% das vendas). No total, foram vendidas, em fevereiro, 2.858 unidades no valor de R$ 915,1 milhões, montante 55,9% superior ao do mês anterior, quando foram comercializados 1.508 imóveis novos.

As vendas acumuladas no primeiro bimestre atingiram 4.366 unidades, aumento de 63,6% em relação a igual período do ano passado. O indicador mal capta os negócios no segmento de baixa renda - que são raros, na capital, por causa da escassez e do elevado preço dos terrenos, o que inviabiliza a oferta de moradias de custo módico. Esse segmento poderá ser mais bem avaliado com a extensão da pesquisa para a região metropolitana de São Paulo, prevista para o final do mês.

Mas o ritmo quase eufórico da construção civil é acompanhado de dificuldades, como a enfrentada por empresas construtoras que tentam atuar mais intensamente no segmento popular e agora começam a rever seus planos, chegando, em alguns casos, a desistir de atender à demanda provocada pelo programa federal de habitações.

Isso não se dá por falta de crédito para financiar as obras, mas pela burocracia que retarda o desenvolvimento dos projetos e pela insuficiência de infraestrutura urbana e serviços públicos. Em vez da redução de tributos sobre materiais de construção, o governo poderia destinar mais verbas à infraestrutura e, sobretudo, cuidar para que elas sejam aplicadas com eficiência e em prazo compatível com a pretendida diminuição do déficit habitacional.

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