Exportação cai, mas o superávit continua elevado

Superávit da balança comercial foi de US$ 65,7 bilhões nos últimos 12 meses

O Estado de S.Paulo

04 Maio 2018 | 04h00

O superávit da balança comercial (diferença entre exportações e importações) foi de US$ 6,1 bilhões em abril, de US$ 20,1 bilhões no primeiro quadrimestre e de US$ 65,7 bilhões nos últimos 12 meses, o que mostra sua importância para o balanço de pagamentos. O que parece mais difícil é preservar o vigor das exportações, que, pelo critério de média por dia útil, caíram 3,4% em relação a abril de 2017 e 0,8% comparativamente a março de 2018. Houve recuo das vendas de primários, industrializados e semi-industrializados.

No primeiro quadrimestre, a queda das vendas só não foi maior devido ao aumento das cotações do petróleo no mercado internacional, propiciando alta da receita de 24,2% em relação a igual período de 2017, segundo o diretor de estatística do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (Mdic), Herlon Brandão.

Já as importações aumentaram 10,3%, pelo critério de média diária, em relação a abril de 2017, caindo apenas 0,1% comparativamente a março de 2018. No primeiro quadrimestre, o País exportou US$ 74,3 bilhões (+7,7% em relação ao mesmo período de 2017) e importou US$ 46,8 bilhões (+14,5% sobre 2017). Mas a intensificação das importações depende do ritmo da retomada econômica. Houve mais importações de bens de capital, cujo peso nas compras do exterior passou de 10,3% para 11,1% entre os primeiros quadrimestres de 2017 e de 2018, mas o maior crescimento veio das importações de combustíveis e lubrificantes. A queda da importação de bens intermediários, como insumos industriais elaborados, peças e acessórios para bens de capital e peças para equipamentos de transporte, pode ser um sinal de fraqueza do investimento.

A importância de o Brasil ampliar os mercados de exportação não se deve à busca de equilíbrio nas contas cambiais, que desfrutam de situação confortável, mas da necessidade de abrir mais a economia. A melhor medida dessa abertura é a corrente de comércio (soma de exportações e importações), que atingiu US$ 382,1 bilhões nos últimos 12 meses (+13,1% em relação aos 12 meses anteriores, pelo critério de média diária).

O comércio exterior – um dos vetores do crescimento econômico global e poderoso fator de estímulo da competição nos mercados internos – está, hoje, ameaçado pela volta do protecionismo liderado pelos Estados Unidos.

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