Fabricantes de veículos elevam suas projeções

Novos cortes de juros reduzirão o valor das prestações e ampliarão o número de compradores potenciais. Para isso contribuirá a estabilidade dos preços dos veículos

O Estado de S.Paulo

05 Agosto 2017 | 03h11

As montadoras parecem decididas a elevar a produção, seja para servir o mercado de exportação, seja para atender à demanda interna. A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) já avalia uma revisão, para mais, das metas de vendas do ano, num momento em que os dados mensais são crescentes e a comparação entre 2016 e 2017 já se mostra menos negativa, ou bastante positiva para alguns indicadores.

A produção de 212,3 mil autoveículos em julho superou em 5,9% a de junho e em 17,9% a de julho do ano passado. Entre os primeiros sete meses de 2016 e de 2017, a fabricação de veículos avançou 22,4% e, nos últimos 12 meses até julho contra os 12 meses anteriores, foram produzidas 300 mil unidades a mais (+14%). O total do ano atingiu 2,43 milhões de unidades, segundo a Anfavea. Os estoques de 217,7 mil veículos em fins de julho permitiam atender a 35 dias de vendas e estão dentro do previsto pelo setor. Até o emprego mostrou leve recuperação de 0,2% entre junho e julho, elevando o total empregado para 125,2 mil pessoas.

Os licenciamentos registraram queda de 5,2% entre junho e julho, de 195 mil para 184,8 mil unidades, para o que contribuiu o período de férias, mais fraco para as vendas. Mas, entre os primeiros sete meses de 2016 e de 2017, houve aumento de 3,4%. Na comparação entre períodos de 12 meses, houve recuo de 4,5%, em parte devido à queda mais forte do mercado de importados. O presidente da Anfavea, Antonio Megale, destacou o fato de que o avanço nas vendas alcançou 16 dos 27 Estados do País.

Entre janeiro e julho de 2016 e de 2017, as exportações de veículos montados aumentaram 52% em valor e 22,4% em número de unidades, sugerindo que o produto nacional se torna mais competitivo no mercado global. Isso significa alento à produção.

O segmento de veículos também é beneficiado pela recuperação da renda real dos trabalhadores, em consequência da inflação cadente. Mas o impacto sobre o mercado de veículos virá, em especial, da redução de juros, pois parte expressiva das compras de autos é feita a prazo e o custo depende da taxa básica de juros, já cortada em 4 pontos porcentuais desde 2016.

Novos cortes de juros reduzirão o valor das prestações e ampliarão o número de compradores potenciais. Para isso contribuirá a estabilidade dos preços dos veículos.

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