Famílias ainda sofrem com o endividamento

Do total de famílias brasileiras, 57,1% declararam estar endividadas em julho, segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC)

O Estado de S.Paulo

04 Agosto 2017 | 03h07

Do total de famílias brasileiras, 57,1% declararam estar endividadas em julho, segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Houve crescimento de 1,3 ponto porcentual em relação a junho. Embora tenha havido ligeira queda de 0,6 ponto porcentual entre os meses de julho de 2016 e de 2017, os números são elevados e indicam a gravidade das dificuldades conjunturais. Entre junho e julho deste ano ocorreu uma pequena redução de 0,2 ponto, no porcentual de famílias sem condições de pagar as dívidas em atraso.

A Pesquisa Endividamento e Inadimplência do Consumidor da CNC, com periodicidade mensal, retrata bem o esforço das famílias para equilibrar contas e pagar em dia dívidas com cheques pré-datados, cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, empréstimo pessoal, prestação de carro e seguro. Mas, mesmo com desemprego mais brando, como mostrou a última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, o impacto positivo mal atingiu o consumidor.

O aumento do número de famílias endividadas ocorreu tanto naquelas com renda de até 10 salários mínimos como nas com renda superior a esse valor. Mas, quando se trata de dívidas em atraso, o porcentual de atraso entre as que recebem menos de 10 salários mínimos foi maior, de 27,5% em julho, enquanto naquelas com renda superior a 10 salários mínimos a inadimplência foi de 10,8%. O atraso médio de 63,1 dias em julho superou o de 62,4 dias de julho de 2016.

A avaliação do tipo de dívida causa alguma preocupação. Nas famílias com menor renda predominavam dívidas com cartão de crédito, cujo custo é muito alto, e carnês. Enquanto isso, nas famílias de maior renda, além do cartão de crédito, foi alta a inadimplência com financiamentos de carro e da casa própria. Ademais, 8,9% dessas famílias ainda financiam suas despesas pagando os juros altíssimos do cheque especial.

Indiretamente, a Pesquisa de Risco e Intenção de Endividamento (Prie) da FecomercioSP confirma a da CNC: houve queda de 20% entre junho e julho na intenção das famílias paulistanas de se endividar nos próximos três meses e alta de 11,6% na intenção de recompor as reservas financeiras. Conclusão óbvia: a recuperação do consumo tende a ser lenta, apesar da queda acentuada da inflação e dos juros e do aumento do crédito.

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