Famílias têm condições de consumir mais

O esforço dos trabalhadores e de suas famílias para pôr as contas em ordem resultou em melhora sensível dos indicadores de inadimplência em setembro

O Estado de S.Paulo

10 Outubro 2017 | 03h09

O esforço dos trabalhadores e de suas famílias para pôr as contas em ordem resultou em melhora sensível dos indicadores de inadimplência em setembro. É o que revelaram os números de pesquisa recente da Boa Vista SCPC, da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), apontando para uma queda de 7,1% no número de novos registros de atrasos, em relação a agosto, e de 12,1%, na comparação entre os meses de setembro de 2016 e de 2017.

São dados já dessazonalizados e muito expressivos, que superam outras marcas observadas no mesmo levantamento, em períodos mais longos. E, caso fique claro que essa tendência positiva não apenas se está confirmando, como se acentuando, poderão se abrir expectativas ainda mais otimistas para as atividades do comércio varejista no fim do ano.

Na comparação entre os primeiros três trimestres de 2016 e de 2017, o recuo da inadimplência no Brasil foi de 2%, chegando a 2,6% quando se comparam os últimos 12 meses, até setembro, com os 12 meses anteriores.

A queda da inadimplência na comparação entre setembro de 2016 e

o mês passado foi mais forte nas

Regiões Norte (-19,6%), Nordeste

(-18,9%) e Centro-Oeste (-18,1%).

Há várias explicações possíveis para esse fenômeno.

Primeiro, os indicadores podem resultar do aumento mais pronunciado da renda pessoal em decorrência do agronegócio e da valorização de commodities, favorecendo não só o mercado interno, como as exportações; e também da elevação da renda real decorrente da inflação muito baixa, na faixa dos 2% a 3% ao ano. É provável, ainda, que esteja havendo intensificação do processo de renegociação de dívidas em atraso com instituições financeiras ou com concessionárias de serviços públicos, o que também tem impacto favorável sobre os níveis de inadimplência, embora seja menos importante porque nesses casos o endividamento persistiu.

Os efeitos positivos da diminuição da inadimplência sobre a economia poderão ser potencializados pela recuperação do emprego formal ou mesmo informal, já visível na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, do IBGE, e no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho. Para os bancos, inadimplência menor será fator de estímulo ao aumento da oferta de crédito.

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