Fazer mais pela mobilidade

Os dados de 2014 relativos ao transporte público na cidade de São Paulo indicam que é preciso fazer muito mais do que se vem fazendo. Segundo a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), nos últimos quatro anos, o número de usuários do Metrô aumentou 14,5%, enquanto a malha ferroviária teve um crescimento de apenas 5,5%. No período foram inauguradas quatro estações. Nesse ritmo, nunca se diminuirá o déficit do transporte público. Ao contrário, o problema tende apenas a se agravar.

O Estado de S.Paulo

03 Fevereiro 2015 | 02h05

Em 2011, o Metrô transportou 1,138 bilhão de passageiros. Já em 2014 foi transportado 1,304 bilhão de passageiros, um crescimento de 166 milhões de viagens, representando um aumento de 14,5% ao longo dos quatro anos. No mesmo período, a extensão da malha ferroviária passou de 74,3 km para 78,4 km (+ 5,5%). Um crescimento muito aquém das necessidades.

A situação é ainda pior nos trens. Segundo a CPTM, nos últimos quatro anos houve um acréscimo de 132 milhões de passageiros (de 700 milhões para 832 milhões), representando um crescimento de 18,8%, enquanto a malha ferroviária cresceu apenas 2,5%. Foram acrescidas três novas estações.

As estatísticas da CPTM confirmam a experiência diária vivenciada pelos usuários - a superlotação, que há um bom tempo já não está mais restrita aos horários de pico. Segundo o diretor da Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP), Rogério Belda, "está muito mais cheio nos horários de pico e fora deles também, como no almoço, pois as pessoas têm feito outras coisas. O perfil de São Paulo é de metrópole". De fato, não é novidade que São Paulo tem perfil de metrópole. O que surpreende é a aparente normalidade com que o poder público encara a superlotação dos trens, como se fosse uma situação impossível de ser modificada.

Os dados relativos aos ônibus também não são alvissareiros. Apesar de serem muito alardeadas pela Prefeitura, as faixas exclusivas de ônibus não têm representado uma melhora global no transporte coletivo. Segundo Horácio Augusto Teixeira, mestre em Transportes pela Universidade de São Paulo (USP), "as faixas deram uma melhorada em alguns horários e vias, não na cidade inteira. A cidade tem milhares de quilômetros onde circulam ônibus e só algumas centenas têm faixas. O resto dos ônibus está preso no congestionamento". Hoje, a cidade conta com 462,3 km de vias exclusivas de ônibus.

Ao contrário do Metrô, o número de usuários de ônibus tem se mantido estável ao longo dos últimos anos, em torno de 2,9 bilhões de viagens por ano. Em 2014, houve até uma diminuição do número de viagens. Segundo balanço da São Paulo Transporte (SPTrans), no ano passado foram feitos 2,915 bilhões de viagens, e em 2013 haviam sido 2,924 bilhões. A expectativa para o ano de 2014 era de que fossem realizados 2,937 bilhões de viagens. A SPTrans explicou que a variação do ano passado se deve "principalmente à realização da Copa do Mundo, no mês de junho". Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, há uma diminuição de 18 milhões de viagens em junho de 2014. "Enquanto isso, no total do ano, foram transportados 9 milhões menos em 2014", afirmou a SPTrans. No entanto, além do mês de junho, houve redução em relação ao mesmo período do ano anterior no número de passageiros nos meses de março, abril, maio, agosto, novembro e dezembro. A Copa do Mundo pode ter agravado, mas em abril, por exemplo, foram menos 12 milhões de viagens. Os números indicam uma situação que merece ser investigada, pois mostra que as promessas da gestão Haddad de tornar mais atraente o uso dos coletivos não estão se cumprindo.

Tanto os dados da CPTM quanto os da SPTrans indicam que o governo do Estado e a Prefeitura de São Paulo precisam fazer mais pela mobilidade urbana - uma nova estação de Metrô por ano é muito pouco. Fazer mais é também empreender soluções efetivas - em vez de gastar os anos de governo apenas pintando o asfalto da cidade.

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