Firma-se um IPCA próximo de 3% ao ano

Pelo terceiro mês consecutivo o índice se situa na casa dos 2% ao ano e é resultado da política monetária do Banco Central (BC), do ritmo ainda lento da atividade econômica e do comportamento dos preços dos alimentos, que contribuiu decisivamente para a queda do índice

O Estado de S.Paulo

23 Setembro 2017 | 03h14

A inflação oficial medida entre 16 de agosto e 15 de setembro pelo IPCA-15 atingiu 0,11%, inferior à de agosto (0,35%) e a menor desde setembro de 2006, quando foi de apenas 0,05%. Pelo terceiro mês consecutivo o índice se situa na casa dos 2% ao ano e é resultado da política monetária do Banco Central (BC), do ritmo ainda lento da atividade econômica e do comportamento dos preços dos alimentos, que contribuiu decisivamente para a queda do índice.

A conjuntura é tão favorável para os preços que tem levado o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, a afirmar que a retomada da economia “está fundamentada no consumo, motivado pela baixa inflação”, como declarou a investidores estrangeiros em Nova York, há alguns dias.

Com queda de preço de mais de 11% entre agosto e setembro, o feijão-mulatinho e o feijão-carioca figuraram como líderes do recuo dos preços, ao lado do tomate e da cebola entre tubérculos, raízes e legumes em geral, dos açúcares, das hortaliças e verduras e até de frutas e carnes – itens que contribuíram para a desinflação de 0,94% dos produtos da cesta de alimentos e bebidas.

Não fossem as altas em transportes, vestuário e habitação, o IPCA-15 teria sido negativo. Índices acima da média foram registrados no Distrito Federal, no Rio e em Porto Alegre, mas em São Paulo o IPCA-15 foi igual à média.

As opiniões do governo e de analistas privados convergem ao prever IPCA próximo dos 3% em 2017 e, eventualmente, até na casa dos 2% em que está agora, superando o limite mínimo do regime de metas de inflação. Será um indicador compatível com o de economias desenvolvidas e recorde desde o IPCA de 1,65% em 1998, mas o BC terá de explicar o descumprimento da meta.

A estabilização da inflação em níveis baixos é auspiciosa, com implicações sobre o consumo, os juros e as decisões de investimento, permitindo às empresas e às famílias programar melhor as despesas. Na melhor das hipóteses, os juros poderão cair para padrões civilizados, propiciando às famílias tomar crédito livre para consumir. Hoje, poucos itens se destacam, como operações consignadas e para a compra da casa própria, mas até nesses casos o tomador é prudente.

A inflação atual contida ajudará a reduzir o impacto da indexação e a confirmar um IPCA sob controle também no ano que vem.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.