Fórum do Leitores

CBF

O Estado de S. Paulo

18 Maio 2015 | 03h00

Negociata com a seleção

Que em nosso país impera a corrupção todo mundo sabe. Basta abrir os jornais, ouvir rádio ou ver TV diariamente. Mas que a nossa seleção de futebol seja objeto de negociatas envolvendo seus dirigentes, agentes e certamente alguns jogadores, como mostrou o Estadão deste domingo, é estarrecedor. E o atual presidente da CBF ainda tem a coragem de afirmar: “Até que não foi um mau negócio”... Agora passamos a compreender o desastre da última Copa (7 x 1). Algumas perguntas ficam no ar. Qual foi a parte dos dirigentes e agentes nessa falcatrua? E os jogadores, eles sabem que precisam passar pelo crivo dos patrocinadores para serem convocados, escalados ou substituídos no decorrer de cada partida? E o Felipão, o Mano Menezes e agora o Dunga sabem que eram e são meros distribuidores de camisas? Se o Dunga tiver um pouco de hombridade, entregue seu cargo imediatamente e nós, torcedores, que somos apenas joguetes nas mãos desses dirigentes, abandonemos de vez a seleção, pois ela, como se viu, não representa o nosso país e seus torcedores, mas apenas o interesse de dirigentes inescrupulosos. Não há dúvida: o nosso país necessita de uma limpeza geral em todos os seus segmentos.

ROBERTO LUIZ PINTO E SILVA

robertolpsilva@hotmail.com

São Paulo

A canarinho vendida

A seleção brasileira de futebol, que usa as cores do Brasil, usa a Bandeira do Brasil, canta o Hino Nacional, é do Brasil? Não, a seleção é da Internacional Sports Events, (ISE), sediada nas Ilhas Cayman, e também de diversos empresários que têm a concessão de direitos para dirigi-la. E pasmem, há uma cláusula no contrato de concessão, entre outras aberrações, que exige que se um jogador tiver de ser substituído o seja por outro com o mesmo valor de marketing, e não o mesmo nível técnico! Aqueles 7 x 1 foram pouco! Com a palavra a Receita Federal.

ARCANGELO SFORCIN FILHO

arcangelosforcin@gmail.com

São Paulo

LULOPETISMO EM QUEDA

Faz-me rir

Em conversa recente com políticos em Brasília, o ex-presidente Lula desabafou que está preocupado com o andamento do governo Dilma Rousseff e desesperançoso com as perspectivas ruins da economia brasileira (16/5, A4). E responsabilizou sua pupila por estar tomando medidas equivocadas. Ora, em vez de criticar o governo da sua pupila Dilma, o ex-presidente deveria é elogiá-la por ter cumprido plenamente todas as suas desastrosas ordens, quer no plano político ou econômico. Lula não tente agora tirar o corpo fora.

VALDY CALLADO

valdypinto@hotmail.com

São Paulo

A colheita

Aquele de quem não se deve sequer pronunciar o nome está reclamando de quê? O nefasto só está colhendo o que plantou! Esqueceu que quem semeia ventos colhe tempestades?

APARECIDA DILEIDE GAZIOLLA

aparecidagaziolla@gmail.com

São Caetano do Sul

Impeachment

Lula está tão descontente com Dilma que, se a oposição deixar, quem vai pedir o impeachment da presidente é ele.

GILBERTO DIB

gilberto@dib.com.br

São Paulo

A má fase do ex

Ao declarar que não está numa fase muito boa, Lula esqueceu-se de dizer que o povo brasileiro está muito pior. Agora, sim, o Brasil está vivendo uma “herança maldita”, cujo espólio são contas públicas descontroladas, inflação, queda do PIB, desemprego e caos social. Responsabilizar a presidente Dilma pelo esfarelamento do projeto político do PT chega a ser patético e covarde. Aliás, o único projeto político do PT sempre foi perpetuar-se no poder, sem a mínima preocupação com quaisquer entraves éticos. A história se repete. É bom lembrar que Maluf responsabilizou sua criatura Pitta por todos os “malfeitos” de sua administração. Resumo da ópera: os dois chegaram a ser presos, um só não continua na prisão por causa da idade avançada e dos seus experientes advogados e o outro, por ter morrido.

LUIGI PETTI

luigirpetti@gmail.com

São Paulo

Projeto esfarelando

Parece que a ficha do ex-presidente Lula está caindo, ou seja, a realidade é bem dura de encarar. Seu partido já não consegue camuflar as falcatruas e mentiras, todas até há poucos meses mantidas debaixo do tapete. E sua preocupação com a delação premiada de Ricardo Pessoa, da UTC, só vem a “esfarelar”, segundo suas próprias palavras, seu projeto de poder. Não há mal que sempre dure, as verdades um dia vêm à tona e então pagarão todos os que usurparam o poder em benefício próprio. O povo brasileiro aguarda pacientemente, com suas panelas, por justiça. Parece que a “blindagem” do sr. Lula já está enfraquecendo, felizmente!

ANA PRUDENTE

ana_prudente@uol.com.br

São Paulo

Forca

Por acaso Lula já pensou há quanto tempo nós, brasileiros honestos, trabalhadores, pagadores de pesados impostos, não estamos numa fase muito boa? Agora que o dono da UTC e seu amigo, Ricardo Pessoa, resolveu concordar em fazer a delação premiada, ele está sentindo a corda apertar o pescoço? Será que toda a verdade virá enfim à tona? O cerco está se fechando...

KÁROLY J. GOMBERT

kjgombert@gmail.com

Vinhedo

Irresponsáveis

O Lula não pensa no que a irresponsabilidade do lulopetismo fez com grande parte dos brasileiros, que se endividaram muito, sem contar a inflação e a ameaça real do desemprego. Tem muita gente “numa ruim”.

ADEMAR MONTEIRO DE MORAES

ammoraes57@hotmail.com

São Paulo

Patriotadas

Lulla entregou uma refinaria de petróleo ao Evo Morales, Dilma deu um porto marítimo ao Fidel Castro, Guido Mantega quebrou a economia, José Sérgio Gabrielli estropiou a Petrobrás, o STF abrandou para os mensaleiros e Luiz Edson Fachin advogou contra Itaipu. Aos que ignoravam, tudo para o bem do Brasil...! Na “pátria educadora”, o que não falta é exemplo.

A. FERNANDES

standyball@hotmail.com

São Paulo

Chabu

O PT é só mais um fracasso do esquerdismo! 

EUGÊNIO JOSÉ ALATI

eugeniojalati@gmail.com

Campinas

Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br



INFLAÇÃO FORA DE CONTROLE


A previsão do mercado, infelizmente, indica uma inflação para 2015 de 9%. Ou seja, o dobro do estabelecido pelo Banco Central como centro da meta, de 4,5%, e 40% a mais do que o teto da meta, de 6,5%. Esse provável índice inflacionário de 9% é prova cabal de que o governo Dilma se lixou para a preservação da renda do trabalhador e do orçamento da família brasileira. Uma taxa estúpida dessa magnitude ao ano indica que a inflação está fora de controle. E o País vive com sua economia estagnada. É absurda essa constatação, porque, com o consumo perdendo força, em qualquer nação administrada com um mínimo de seriedade e eficiência, a correção dos preços estaria em baixa, e não como ocorre entre nós, sacrificando o salário do trabalhador. Na realidade, fora de controle não está somente a inflação, também está a paciência do cidadão brasileiro com o governo petista, tamanhos são a corrupção, os desmandos na condução da nossa economia e o desrespeito às nossas instituições.


Paulo Panossian paulopanossian@hotmail.com

São Carlos


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MÁ COLHEITA


O Brasil vai de mal a pior. Agora, o recuo do varejo leva a uma nova revisão do PIB, sem dúvidas para baixo. Tudo fruto da incapacidade, da inabilidade, da inércia e da incompetência do petelulismo no “pudê” há 12 anos.  Ou seja, colhemos o que plantamos. O comércio caiu 0,9% em março, pior resultado para o mês de março em 12 anos – casualmente o tempo que eles estão no comando. Também o aumento do número de lojistas encerrando e fechando seus negócios foi o maior em 10 anos. E, para encerrar, a indústria de São Paulo fecha 177 mil vagas nos últimos 12 meses. Porém Dilma continua esbravejando balelas, lorotas e mentiras, subestimando-nos brutalmente.


Angelo Tonelli angelotonelli@yahoo.com.br

São Paulo


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OU DILMA OU O MINISTRO


O ministro Joaquim Levy tem a missão de tirar o País do caos econômico em que o meteu a quadrilha petista. Quando uma maioria se der conta de que, com a permanência da presidente em seu cargo e rodeada de bandidos, tal objetivo é impossível, das duas uma: ou sai a presidente ou sai o ministro. Termine lá como for, a conta deverá ser paga por todos, tenham sido ou não responsáveis pela eleição dessa ralé moral que se apossou da República em 2003. 


Mário Rubens Costa costamar31@terra.com.br  

Campinas


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DILEMA SOBRE DILMA


Crer ou não crer, eis a questão.


Eduardo Augusto Delgado Filho e.delgadofilho@gmail.com 

Campinas


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ESTAMOS CANSADOS


De tanto ver crescer a corrupção, de tanto ver tamanha incompetência e imoralidade, de tanto ver o Estado cada vez mais aparelhado, assim como o Judiciário, de tanto ver empréstimos com enorme carência a países de ditadores, de ver invasores serem homenageados, de ver o “Estadão” censurado há 2.053  dias, de ver pagar tantos impostos e receber de volta umas migalhas, entre tantos outros descaminhos, penso que é hora de pensar em  algo, não independência, mas lutar pela autonomia do nosso Estado, como acontece em alguns países.


Norberto C. Abreu norbertocabreu@ig.com.br

São Paulo


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A PÁTRIA AMADA AGRADECE


O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, celebra a devolução de R$ 157 milhões que foram roubados dos cofres da Petrobrás. Dos R$ 6 bilhões que foram roubados, só faltam R$ 4.430.000.000,00 a serem devolvidos.


Virgílio Melhado Passoni mmpassoni@gmail.com

Jandaia do Sul (PR)


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O BALANÇO BALANÇANDO


Em áudio obtido pelo “Estadão”, a ex-presidente da Petrobrás Graça Foster, na reunião do Conselho da Administração da estatal de 12/12/2014, afirmou aos demais conselheiros que “essa de dizer que eu só posso mostrar para o mercado a certeza absoluta dessa questão da Operação Lava Jato é uma inverdade, porque jamais acontecerá. Só daqui a três, cinco ou dez anos. Quando isso tudo for julgado e sair o valor dessa operação toda”. Continuou a ex-presidente, ao responder à indagação de um dos presentes se a data seria em 18/2/2015: “Não há a menor perspectiva racional de ter esse número exato. Não há”. Em seguida, ela lançou o desafio: “Se o Jurídico acha que há, por favor, pode se manifestar”. Não houve resposta, relatou a reportagem. Tal revelação da então presidente da companhia, funcionária de carreira de longa data, põe por terra o modesto valor que foi considerado no tão aguardado Relatório da Administração e Demonstrações Contábeis Auditadas da estatal, cuja cópia foi publicada em suplemento do “Estadão” em 8/5/2015. Ao ler alguns trechos do referido relatório, chamou minha atenção um trecho constante no item Relacionamento com o Acionista Controlador, ao comentar que “a União Federal, como acionista controlador, exerce influência sobre a orientação estratégica dos nossos negócios e tem adotado políticas macroeconômicas e sociais, por meio da companhia, nos termos do artigo 238 da Lei das Sociedades Anônimas, que admite a orientação das atividades da sociedade de economia mista de modo a atender o interesse público que justificou a nossa criação”. Eu fui procurar a citada lei no site da Presidência da República e encontrei a Lei 6.404, de 15 de dezembro de 1976, denominada Lei das Sociedades Anônimas, sancionada pelo presidente Ernesto Geisel. Reza o artigo que “a pessoa jurídica que controla a companhia de economia mista tem os deveres e responsabilidades do acionista controlador (artigos 116 e 117), mas poderá orientar as atividades da companhia de modo a atender o interesse público que justificou a sua criação”. Ora, não sou economista nem sociólogo, muito menos político, mas a lógica me diz que o legislador não pretendeu, de maneira nenhuma, com o referido artigo, conceder ao presidente de plantão que utilizasse a Petrobrás para os seus interesses políticos, como, no caso, a reeleição da presidente Dilma Rousseff. Represar os preços dos combustíveis por tanto tempo jamais pode ser considerado de interesse público que justificou a sua criação e muito menos o desobriga dos deveres e responsabilidades. Nem precisa ser economista para saber que a conta virá depois e bem salgada. E é o que está ocorrendo na atualidade, com a população pagando os estragos perpetrados pela presidente. Eis, para os ainda incrédulos, mais um motivo da baixa popularidade da presidente Dilma Rousseff e dos inéditos panelaços.


Gilberto Pacini benetazzos@bol.com.br 

São Paulo


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NO ESPELHO


Presidente Dilma Rousseff: “Temos de enfrentar e acabar com todos os malfeitos, todas as atividades de uso indevido da empresa e todos os processos de corrupção”. Essa declaração só faz sentido se ela estiver de frente ao espelho.


Luiz Frid luiz.frid@globomail.com 

São Paulo


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A ACEITAÇÃO DA PRESIDENTE


Pequenas atitudes da presidente Dilma Rousseff poderiam alçá-la a índices mais favoráveis de aceitação pública. Ela poderia sair de seu casulo, ir às ruas sem medo e receber o afeto do povo. Bastaria promover pequenas mudanças em seu governo, mudanças mais fáceis de serem percebidas pela plebe, como, por exemplo, diminuir o número de ministérios, acabar com os cartões corporativos, diminuir o número de empregos em comissão, ser mais humilde ao apresentar-se, sem as produções exageradas de corte de cabelo e maquiagem e, enfim, adotar o personagem de Jânio Quadros, comer sanduíches com o povão, etc., etc., etc. Creio que faltou esta orientação de seu marqueteiro: evitar as mentiras, porque as verdades, sejam elas duras ou não, sempre serão aceitas por grande parcela da população.

 

Mário Negrão Borgonovi marionegrao.borgonovi@gmail.com

Rio de Janeiro


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INVESTIGAÇÕES DO MINISTÉRIO PÚBLICO

 

Decidiu o Supremo Tribunal Federal (STF) que o Ministério Público pode investigar e colher provas independentemente da Polícia, o que não significa que os promotores e procuradores não possam socorrer-se da Polícia para implementar suas investigações. A decisão do STF, com certeza, vai eliminar eventuais propinas que possam ocorrer no âmbito de uma repartição policial, da mesma forma que um órgão estará sempre com os olhos voltados para o outro, ganhando com isso, na realidade, a Justiça e, em muitos casos, o erário público. Certamente que existirão dúvidas, mas estas poderão ser eliminadas pela Justiça.


José C. de Carvalho Carneiro carneirojc@ig.com.br 

Rio Claro


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QUE O MP FAÇA JUS À DECISÃO


Acertada a decisão do STF acerca de o Ministério Público poder fazer investigação por conta própria, pois estava em gestação pelos políticos brasileiros uma lei da mordaça, sem esquecer que teve seu nascedouro com José Dirceu. Esperamos que o MP faça jus, pois está deixando a desejar em alguns locais, como a cidade de São Paulo no caso do metrô.


Marcos Barbosa micabarbosa@gmail.com

Casa Branca


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DIVISÃO MORAL DO PAÍS


Não foi apenas uma divisão entre eles e nós que o lulupetismo instituiu no País. Instituiu uma divisão moral também. Enquanto muitos cidadãos tiravam selfies com o juiz Sergio Moro, que julga bandidos do colarinho branco envolvidos no petrolão que acabaram com a Petrobrás, sendo hoje considerado um dos homens mais éticos do País, outros tiravam selfies com o bandido Fernandinho Beira-Mar, julgado e condenado por tráfico e por assassinatos, cumprindo pena de mais de 200 anos. Dois Brasis, um ético e outro imoral. Este foi o saldo deixado pelo lulupetismo pelo País afora “como nunca antes neste país”.


Beatriz Campos beatriz.campos@uol.com.br

São Paulo


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OS PASSEIOS DE FERNANDINHO BEIRA-MAR


A cada vez que o famigerado bandido Fernandinho Beira-Mar vem ao Sudeste para ser julgado por mais um dos seus incontáveis crimes, nós, contribuintes, precisamos pagar por jato da Polícia Federal, helicópteros blindados, segurança reforçada, etc. Que lei estúpida é esta que não permite que este facínora, já condenado a centenas de anos, responda a questionamentos via internet? Realmente, é preciso trazê-lo – com tudo o que isso implica – lá de Rondônia, colocando a todos em perigo?


Roger Cahen rcahen@uol.com.br

São Paulo


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CUIDADORAS E A LEI DAS DOMÉSTICAS


Assim como imagino que muitas famílias em minha situação o façam, tenho contratado cuidadoras para atender uma idosa em regime 24/7. O regime de contratação, acertado de comum acordo, estabelece um valor fixo para jornadas de 12 horas em regime de revezamento. Este formato tem atendido perfeitamente às necessidades e é usual para este tipo de prestação de serviço. A nova Lei das Domésticas, no entanto, estabelece jornadas de 8 horas, e as excedentes computadas com acréscimo de 50%. Este acréscimo resulta num valor equivalente a 75% do valor correspondente às 8 horas (4 horas x 150% / 8 horas), simplesmente insuportável, além de injusto, já que os valores pagos no presente remuneram adequadamente as profissionais. Isso sem falar no adicional de 100% aos domingos e feriados. Uma vez que salários são irredutíveis, quais as alternativas que restam? Demitir as cuidadoras e contratar outras, com salário nominal menor, de forma a compensar o impacto da lei? Demiti-las e utilizar os serviços de uma cooperativa, que, com as devidas exceções, não remuneram adequadamente as profissionais e em consequência não oferecem serviços de qualidade? Sugestões serão apreciadas. 


Geraldo Oppenheim geraldo.opp@gmail.com 

São Paulo


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TERCEIRIZAÇÃO DA MÃO DE OBRA


Uma pérola da conjuntura política atual é a tramitação no Legislativo do projeto de terceirização da mão de obra, em que os “representantes” do povo, a título de estabilizar as relações de trabalho nesse setor, talvez conscientemente, estejam contribuindo para a desestabilização das relações de trabalho no País inteiro, posto que, ao permitirem a terceirização da contratação de mão de obra nas atividades-fim das empresas, poderemos chegar ao limite de empresas que não terão nenhum empregado, estes o serão da empresa contratada para fornecer a mão de obra. Para a empresa contratante será facílimo substituir mão de obra, ao mesmo tempo que os empregados passam a não ter mais segurança no trabalho, basta pensarmos no fato de que essas empresas fornecedoras de mão de obra, uma vez falidas, certamente terão um capital social muito pequeno, ativos talvez desprezíveis, mas um passivo trabalhista monumental e a responsabilidade subsidiárias da empresa demandante da mão de obra se restringe a um fundo acumulado com base em 4% do total da folha de pagamento, o que por si só certamente não garantirá a indenização dos trabalhadores. Outro fator curioso desse processo será que a empresa contratante de mão de obra poderá trabalhar com escalas salariais diferentes de acordo com as empresas que a contratam, posto que diferentes realidades salariais serão contempladas conforme a empresa contratante. Assim, para a mesma função em empresas diferentes, a fornecedora de mão de obra terá salários diferentes, e, num caso limite, nem tão limite assim, vai restringir a mobilidade da mão de obra, uma vez que um contratado por esta para a empresa A, certamente, não poderá se candidatar à mesma função na empresa B, que oferece um salário maior para a mesma função, posto que por todos o lados que se olhe seria antiético por parte da empresa fornecedora de mão de obra aceitar essa troca de emprego, uma vez que se tratam de empresas que a contratam. Essa discussão no Parlamento brasileiro mostra o quanto os “representantes” do povo estão preocupados com o povo. Assim, o atual governo se supera, ao não se posicionar sobre o tema, pois não bastava ter governado para os banqueiros ao longo desses mandatos acumulados, estende essa cortesia ao empresariado como um todo, com a retirada da capacidade dos trabalhadores de se defenderem contra o capital sem visão social.


Luís Severiano Soares Rodrigues luisseveriano@bol.com.br

Mesquita (RJ)


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NÃO À TERCEIRIZAÇÃO


Não sou especialista de recursos humanos, mas na minha cabeça quem se submete a uma condição de terceirizado é porque está muito necessitado. Na verdade, não conseguiu se colocar seja por concurso ou mesmo nas seleções rigorosas das empresas. E aí aceita qualquer coisa. Normalmente, não são especializados em nada. O lamentável, porém, são os proprietários das referidas empresas. Subjugam as pessoas, humilhando-as pagando bem menos que o mercado oferece. E cobram das empresas que os contratam valores muito superiores ao que a empresa gastaria se fizesse a contratação direta. E o mais suspeito ainda é que normalmente seu dono é alguém ligado ou mesmo da própria empresa contratante, ou ainda laranjas. São os cafetões modernos. Assim, digo não à terceirização.


Iria de Sá Dodde iriadodde@hotmail.com

Rio de Janeiro


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MOVIMENTO CLASSISTA


Já foi o tempo em que as empresas realizavam todas as tarefas. Hoje as empresas se concentram nas suas atividades básicas e compram fora bens e serviços especializados. A terceirização é uma realidade mundial. Empresas como a Apple, Nike, Dell, Amex, etc. terceirizam atividades nos EUA ou mesmo em outros países. A Petrobrás conta com 300 mil terceirizados. O Brasil é o único país que distingue atividade-meio de atividade-fim. Com isso, gera 2 milhões de ações trabalhistas anualmente (contra 70 mil nos EUA e na França).  Segundo José Pastore, para cada R$ 1 mil julgado, a Justiça do Trabalho gasta cerca de R$ 1,3 mil, um custo astronômico para o País. Quando assistimos a juízes se manifestando contra a terceirização, entendo como movimento classista, corporativista e não em defesa dos trabalhadores. Afinal, regulada a terceirização, a Justiça do Trabalho poderá reduzir sua estrutura e custos à metade.


Marco Cruz mm.cruz23@gmail.com 

São Paulo


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FATOR PREVIDENCIÁRIO

 

Os congressistas, que não ocupam a cadeira presidencial, são notórios por de vez em quando aprovarem “pacotes de bondades” aleatoriamente. Foi o caso agora a tentativa de acabar com o chamado fator previdenciário das aposentadorias. Debate-se como ficaria a Previdência, em breve, sem esse fator, que seria um caos total na economia num todo. O que não se divulga é outro rombo bilionário que ocorreria: pessoas já aposentadas pelo fator iriam recorrer à Justiça para rever e readaptar suas aposentadorias e até mesmo pedir ressarcimento relativo aos últimos cinco anos. Recentemente a presidente teve de vetar outro “pacote de bondades”, que nos passou despercebido: o Congresso aprovara uma lei concedendo uma série de mordomias a servidores e militares PM/BM dos ex-territórios da União, como por exemplo equiparação e vinculação diretas, das remunerações dos policiais destes ex-territórios em relação aos do Distrito Federal.

 

Heitor Vianna P. Filho bob@intnet.com.br  

Araruama (RJ)


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DILMA ROUSSEFF


Fez “o diabo” para se reeleger e, agora, defende o fator previdenciário de FHC. Não pode dizer “que herança maldita”.


Moises Goldstein mgoldstein@bol.com.br 

São Paulo


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SÃO PAULO É MAIOR QUE DUAS RUAS

 

Referente a matéria “Após críticas, Haddad reduz corredores comerciais em novo zoneamento de SP”, veiculada em 11/5, é importante lembrar que corredores comerciais em áreas residenciais sempre existiram. Foram reconhecidos desde o primeiro zoneamento formal de São Paulo, na década de 1970, e até antes disso, posto que diversos loteadores previam polos comerciais dentro de bairros exclusivamente residenciais. Os casos mencionados na reportagem são duas instâncias pontuais, envolvendo algumas quadras da Rua Sampaio Vidal e um dos lados da Rua Estados Unidos. É salutar que mudanças sejam feitas para contemplar demandas locais, mas isso não pode ser descaracterizado como uma alteração de corredores em toda a cidade como induz o título da reportagem. Em diversos outros pontos da cidade, o reconhecimento dos corredores foi fundamentado em aspectos técnicos e num amplo pleito da sociedade civil desde a discussão do Plano Diretor Estratégico que previu a introdução de novos corredores e o reconhecimento dos corredores existentes. Uma reversão radical desse conceito, afrontaria os princípios de gestão democrática colocando em xeque todo o processo de discussão do zoneamento, razão pela qual até onde sabemos isso não está sendo considerado pela SMDU.

 

Christian Bojlesen cbojlesen@gmail.com

São Paulo


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CIDADE REAL


Sou diretor da Associação Comercial de São Paulo, moro e trabalho na cidade de São Paulo. Eu, você e tantos outros têm algo em comum: moramos e trabalhamos aqui. Como cidadão de nossa cidade, não me sinto representado por algumas entidades de moradores da cidade de São Paulo, que levam discussões com meias verdades e com interesses diversos de outras regiões que não as suas sobre a lei de zoneamento da cidade. Tenho participado das discussões da revisão da Lei de Parcelamento, Uso, e Ocupação do Solo (LPUOS) da cidade de São Paulo, propondo correções no zoneamento de diversas regiões. Acreditamos que esta contribuição é fundamental, pois ninguém melhor do que quem vive e trabalha na cidade para apontar o que é melhor para sua região. Precisamos ver a cidade como um corpo que cresce e se desenvolve, entendendo suas variações em cada espaço e o melhor ajuste para pontos específicos. Por isso, nós entendemos a importância de se considerar a cidade real, respeitando as particularidades e vocações de cada região. A lei em vigor cometeu equívocos, quando alterou o zoneamento de algumas regiões, deixando de considerar a realidade de determinadas ruas, sem vocação para usos exclusivamente residenciais, até mesmo comércio e serviços estabelecidos há 20, 40 anos. O resultado foi uma distorção no modelo de uso e ocupação da cidade, resultando em imóveis vazios, por impossibilidade de alugá-los ou vendê-los, para a finalidade estabelecida na lei de zoneamento, uma vez que imóveis abandonados não exercem sua função social, causam prejuízo a toda vizinhança, se tornam foco de invasões e até mesmo de proliferação de doenças. Um exemplo deste equívoco no estabelecimento do uso mais adequado acontece em alguns corredores lindeiros ou internos as Zonas Exclusivamente Residenciais. Para corrigir essas distorções, existe a proposta das Zonas Corredor (ZCor), com diferentes níveis de impacto no entorno e, portanto, adaptáveis às diversas situações, permitindo o uso dos imóveis para comércio e serviços de conveniência, adequados a cada região, ao contrário de ameaçar as residências próximas, cria na verdade uma valorização do entorno, melhora a mobilidade e traz mais segurança para a região. A nova legislação não permitirá excessos e corrigirá erros. Outra ilusão é sobre as Zonas Corredor reduzirem as áreas verdes ou permeáveis. Os instrumentos propostos regram a edificação, independentemente de seu uso. É indispensável que se façam os ajustes necessários no modelo de uso e ocupação do solo da cidade, para acompanhar o dinamismo do desenvolvimento urbano. O que desejamos é o bom senso, não olhar somente para si e pensar no todo! Temos diversos pontos na cidade que merecem esses ajustes no modelo de uso e ocupação do solo, entre outros: Rua dos Eucaliptos (Moema); Rua Alvarenga (Butantã); Rua São Benedito (Santo Amaro); Rua Texas (Brooklin); Rua Estados Unidos (Jardins); Avenida Ceci (Planalto Paulista); Alameda dos Guatás (Planalto Paulista); Avenida José Maria Whitaker (Vila Mariana); e todo o bairro do Campo Belo, entre tantos outros na cidade. 


Luiz Augusto Barbosa labarbo@gmail.com

São Paulo


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A TRANSFERÊNCIA DA CEAGESP


Devido à relevância do assunto abastecimento de nossa cidade de 11 milhões de habitantes, sem falar nos habitantes da Grande São Paulo, que, juntos, somam 20 milhões, devemos refletir um pouco mais sobre a proposta que atualmente está em estudo pela Prefeitura, sobre a transferência da Ceagesp para o Rodoanel Oeste. Uma megacidade como São Paulo, em termos logísticos de alto impacto no deslocamento da população e seus canais de abastecimento, precisaria a rigor de 3 (três) Ceagesps, pelo menos 2 (duas), sendo uma delas no limite das zonas norte/noroeste e leste, onde se concentram 40% da população da Cidade, com aproximadamente 4,8 milhões de habitantes. Além de levarmos empregos e desenvolvimento para a região norte/leste, em termos logísticos estaríamos evitando o nó logístico que transferiremos para o futuro se continuarmos com a ideia simples de centralizarmos todo o abastecimento da Cidade num único local.


Luiz Antônio Figueiredo figueiredolantonio@yahoo.com.br

Cotia


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CICLOVIAS X SAÚDE


Enquanto proliferam as ciclovias na cidade de São Paulo em obras intermináveis, o número de consultas médicas em unidades de saúde do município cai drasticamente – 21%, segundo reportagem da “Folha de S.Paulo”. Não se pode desvincular uma coisa da outra, pois é simplesmente uma questão de vontade política. A do prefeito Haddad é de entrar para a história como o responsável pela construção da maior malha cicloviária da cidade. A saúde que espere.

 

Luciano Harary lharary@hotmail.com  

São Paulo


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INTELIGÊNCIA ZERO


Sem a menor dúvida, todos os atos do prefeito Fernando Haddad são frutos de sua exacerbada vaidade, sem nenhuma dose de inteligência. Não precisa ser inteligente para saber que a única opção que existe para São Paulo é uma malha metroviária completa, “honesta” e que atenda todos os cantos da cidade. Londres, que é infinitamente menor, tem 400 km de metrô, ou seja, cinco vezes mais do que temos aqui, nesta imensidão. Não tem mágica nenhuma, transporte de superfície não funciona, não adianta gastar dinheiro público com ideias esdrúxulas e irresponsáveis. Mas, além disso, o mágico Haddad conseguiu piorar tudo. Ciclovia numa cidade como São Paulo, com seu traçado, altimetria e obras sem planejamento de governos anteriores, exige um estudo profundo e responsável. Não é simplesmente anular uma faixa das suas ruas ou avenidas, já saturadas pelo intenso trânsito, que complicam a nossa vida, e pintar de vermelho “pt” para que, a cada dia, um ou dois dos corajosos ciclistas que representam menos de 2% da nossa população façam uso dela. Se ele, Haddad, pensa em se reeleger para mais algum cargo público, atormentando e prejudicando ainda mais a vida de 98% dos paulistanos, esqueça. Tente exercitar um pouco a inteligência, prefeito.


Leonidas Ronconi ronconileonidas@gmail.com 

São Paulo


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VAMOS PEDALAR!


Com o advento da implantação das monumentais ciclovias em São Paulo, é necessário arregimentar interessados para o uso dessa modalidade de transporte, já que as mesmas apresentam uma ociosidade nunca vista neste país. Sugere-se aos que pretendem se deslocar por essas ciclovias e ainda não sejam hábeis ciclistas fazer um curso de pedalação. Para tanto, existe uma escola de “alta reputação” para formar bons pedaladores, chamada “PT”. Nessa escola tem mestres de alto gabarito para ministrar aulas nessa especialidade. Paralelamente, apresento os meus pêsames aos proprietários de automóveis, que representam a “zelite”, porque o trânsito que até aqui era caótico sofrerá uma piora significativa, exigindo dos preclaros filólogos, para inserir nos dicionários um termo que represente o superlativo de caótico, para designar esse infortúnio. E, vamos pedalar!

 

Alberto Repecka denise.repecka@gmail.com  

São Paulo


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CIRCO PETISTA X SAÚDE


Haddad quer licitar o Estádio do Pacaembu (10/5 A20 e A21), o que só pode ter sido idealizado por algum marqueteiro para proporcionar circo e encher as burras sabe-se lá de quem. Tem razão o urbanista da USP Lúcio Gomes Machado, que assinala a vocação correta do estádio de fomentar o esporte. O Estádio e o Ginásio do Pacaembu, patrimônios do paulistano, formam um equipamento esportivo pronto para receber de crianças a adultos de todas as regiões da cidade. Localizado na área central, fica equidistante de todas periferias tão carentes de esportes e lazer sadios. É geograficamente inadequado a “eventos culturais” – eufemismo para shows, ainda que Haddad pretenda isolamento acústico sem explicar como fazê-lo em uma arena descoberta e tombada. Situado em um vale rodeado, em suas encostas, de áreas residenciais às quais quaisquer ruídos são amplificados atingindo os bairros da Barra Funda, Santa Cecília, Higienópolis, Perdizes, Pacaembu. Será que a prefeitura pretende afugentar os moradores desses bairros, e, a seguir lançar projetos mirabolantes de revitalização ao melhor estilo kassabista? Haddad faz de conta que não sabe que há liminar, que ali só autoriza eventos esportivos, e, que há decisão judicial de não causar transtornos no entorno, obtida pelo advogado Sergio Livovschi para a associação Viva Pacaembu. Que Haddad faça algo em prol de todos e utilize este equipamento público para preencher a atribuição da prefeitura de desenvolver esportes, e, assim, melhor cuidar da Saúde do paulistano.


Suely Mandelbaum suely.m@terra.com.br  

São Paulo


ÔNIBUS INCENDIADOS


Até quando vamos tolerar situações de puro terrorismo como quando presenciamos pela TV a queima de quatro ônibus na zona leste de São Paulo, como ocorreu no dia 7 de maio, dois deles dentro de um terminal de ônibus? Nada justifica atos como este, que, segundo a mídia, foram a revolta contra o estupro e o assassinato de uma menina de 9 anos. Isso porque o ato incendiário não punirá o criminoso. Até quando vamos esperar que o Cambalacho Nacional de Brasília mude nosso condescendente Código Penal e crie uma Lei Antiterrorismo que possa enjaular na cadeia por no mínimo 30 anos todo aquele que participar de atos de protesto como incendiar ônibus? Qualquer indivíduo, ao saber que incorrerá em penas pesadas como a proposta, pensará muito antes de sair por aí agindo como incendiário. 


Laércio Zanini  spettro@uol.com.br 

Garça 


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O CRIME NÃO TEM DADO TRÉGUA


Não por acaso, a cada mês emissoras de televisão aumentam em seus noticiários o espaço destinado à criminalidade. Os jornais e as emissoras de rádio também ampliaram o espaço destinado ao crime, que acontece diariamente. É impressionante como se mata uma pessoa neste país com uma facilidade escandalosa. Os assaltos, roubos, estupros e latrocínios, como se pode ver na TV, acontecem em plena luz do dia e a bandidagem nem usa máscara para esconder o rosto para não ser identificada. Outra noite a TV Globo mostrou no seu principal jornal, das 20h30, o que estava acontecendo nas ruas do Rio de Janeiro, no período da tarde, com um grupo de garotos fazendo arrastão nas pessoas idosas nos pontos de ônibus. Quem desobedecesse à ordem dos marginais era apunhalado sem dó. Tudo isso iluminado pelo sol das praias cariocas, o que não tem sido diferente no resto do País. Agora, todo dia tem gente assassinada pela bandidagem nas ruas de São Paulo. Com a onda de assaltos e chacinas, a gente já sai de casa pensando no pior, preocupado com que realmente aconteça alguma coisa com nossos filhos. Quando poderíamos imaginar que um simples passeio ou almoçar fora de casa significaria um risco mortal? Virou moda praticar arrastões em estradas e restaurantes e os ladrões saqueiam tudo, quando não matam. Fico tentando de mãos atadas encontrar resposta para essa onda de violência que assola ao País, mas não consigo, a não ser a falta de comando e de governo que reina hoje no Brasil. Tento achar a solução para tudo isso, mas também não encontro medidas efetivas diante de um sistema falho. Se um dia a quadrilha for presa, logo estará nas ruas e praticará outros crimes – acompanhados de requintes de crueldade. A mídia noticia os fatos, mas a situação está pior do que imaginávamos. Daqui a pouco vai baixar a lei do “salve-se quem puder”, quando as pessoas terão de ficar presas em casa enquanto a bandidagem fica livre, leve e solta pelas ruas. Parece surreal e às vezes acho que estamos vivendo no cenário de “Mad Max”, essa é a realidade de um país sem comando e sem lei que intimida aos criminosos facínoras.


Turíbio Liberatto turibioliberatto@hotmail.com    

São Caetano do Sul


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MODELOS POLICIAIS E O RISCO BRASIL


Pode parecer um tema técnico, mas não: o modelo policial adotado por um país reflete diretamente na proteção de seus cidadãos. Mas como assim? No mundo todo há modelos policiais variados: uma única agência policial (Dinamarca), várias agências policiais (Brasil, França, Espanha, Itália, Portugal, Alemanha etc.), agências policiais municipais ao lado de outras estaduais e federais (Estados Unidos), mas em nenhum deles, à exceção do Brasil, há polícias dicotomizadas. Mas o que seria um modelo dicotomizado? Pois bem, dicotomia significa que no Brasil a segurança pública é um serviço público essencialmente oferecido pelos Estados – não pela União ou municípios – por meio de duas agências policiais: as Polícias Civis e as Polícias Militares. Contudo, noutros países também há mais de uma polícia, e nem por isso se fala em dicotomia; o que faz de nosso modelo dicotomizado é o fato de que somente aqui cada polícia vai até certo ponto do trabalho de proteção social e, a partir daí, outra polícia começa o seu. Fala-se então de uma polícia de preservação da ordem pública (as Polícias Militares) e de uma outra polícia: judiciária (as Polícias Civis). Às Polícias Militares atribui-se a tarefa de prevenção e imediata repressão da criminalidade, enquanto às Polícias Civis a de investigação criminal. Longe de atribuir às forças policiais, seja aqui ou em qualquer parte do mundo, a responsabilidade sobre os processos que levam à violência e à criminalidade, sabidamente frutos de uma série de fatores de ordem social desembocando nas cenas de violência, que tanto espaço conquistam dia-a-dia nos meios de comunicação social; todavia, a eficiência do Estado no trato da criminalidade está intimamente condicionada ao modelo de gestão. Um modelo moderno de administração gerencial não admite ensaios, tampouco o apelo a paradigmas ultrapassados, que assim se revelam por tratar novos problemas com os mesmos métodos do passado, tudo em homenagem à tradição. E é essa tradição que cultuamos que faz de nosso modelo policial aquilo que pesquisadores chamam de isomorfismo mimético; a tendência de uma instituição de se aproximar de outra e a ela se assemelhar em forma. Nesse processo, a polícia judiciária busca se identificar como “um quase poder judiciário” (quase juízes), enquanto a polícia ostensiva às forças militares de defesa (Exércitos), tudo em busca de prerrogativas que, como “meras” polícias não conquistaram ao longo de nossa história. Somente aqui, o bacharelado em Direito é visto como sinônimo de preparo para o exercício do trabalho policial; somente aqui, o substantivo “polícia” é considerado menos importante que o adjetivo (“civil” ou “militar”). Somente aqui não se mede o grau de eficiência das agências policiais a partir da gestão por resultados. Somente aqui as taxas de esclarecimento dos crimes, que gravita em torno de 2%, não é sequer objeto de pesquisas e publicidade. O poder, e mais que isso: o dever, de o Estado, por suas agências policiais, darem a pronta e eficiente resposta aos crimes havidos implica diretamente a impunidade ou o verdadeiro império das leis. Entretanto, afora os casos em que há prisão em flagrante, o poder de o Estado identificar os criminosos e promover a justa aplicação da lei é fragilizado quando as investigações não chegam a sequer 2% dos autores de crimes. Isso tudo se soma ao terrível panorama brasileiro de exclusão social, degradação dos valores, fragilidade das leis, degradação das instituições penitenciárias e níveis de violência urbana. Noutros países de democracia consolidada, a existência de uma única agência policial é descartado, porque gera um monopólio de poder, que põe em risco potencial o controle social; noutros países de democracia consolidada, o modelo militar de administração não é confundido com os pesadelos do totalitarismo; em países de dimensões geográficas consideráveis, não se cogita em polícias municipalizadas, porque sujeitas ao clientelismo; nos países mais evoluídos, as agências policiais agem dentro daquilo que se convencionou definir como “polícias de ciclo completo” (todas as polícias realizam a prevenção e a investigação criminais). No Brasil, uma experiência já se mostrou bem-sucedida como embrião do “ciclo completo”: a lavratura de Termos Circunstanciados de Ocorrência, nos casos de infrações penais de menor potencial ofensivo por policiais militares, além dos policiais civis. Contravenções penais e crimes cuja pena máxima prevista em lei não ultrapasse dois anos, assim consideradas de menor potencial ofensivo, dispensam o inquérito policial e o registro feito, até pelo “policial de rua”, é levado diretamente ao Juiz dos Juizados Especiais Criminais. Isso acontece nos Estados de Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul, Alagoas e Minas Gerais; São Paulo também o fez desde 01 de dezembro de 2001 até o dia 09 de setembro de 2009, quando foi abortado por uma Resolução do então Secretário de Segurança Pública, Antônio Ferreira Pinto, por questões hermenêuticas e pressões político-institucionais de duvidoso espírito republicano: um sintoma do modelo de Estado Patrimonialista. Um modelo com polícias de ciclo completo teria o condão de alforriar as patrulhas de polícia ostensiva das horas perdidas nas delegacias à espera da lavratura de um reles boletim de ocorrência. Mudar essa realidade cotidiana, deixaria essa força de trabalho – altamente capilarizada – encarregada do varejo criminal, o que ainda desoneraria as polícias civis da burocracia e as guindaria ao status de uma polícia especializada na criminalidade complexa, elevando seus níveis de eficiência na elucidação dos crimes de autoria desconhecida. Para evoluir, o primeiro passo é reconhecer as novas demandas e admitir que é possível mudar para melhor. 

 

Azor Lopes da Silva Júnior, coronel da Polícia Militar do Estado de São Paulo azor@policiamilitar.sp.gov.br 

São Paulo


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ESCALADA DA VIOLÊNCIA


A escalada da violência urbana nas grandes cidades do País é assustadoramente emblemática. Reflete os efeitos de variadas causas antigas e atuais, mas que tem na grande discrepância socioeconômica da população brasileira sua principal motivação. Urge, portanto, que nossas legítimas lideranças deem solução a tais vulnerabilidades, para que possamos ter paz civilizada em nossas megalópoles, sob pena de todos sofrerem com esse pesadelo. 


José de A. Nobre de Almeida josedalmeida@globo.com 

Rio de Janeiro


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DEIXA A PF TRABALHAR


Temos uma das maiores fronteiras secas do mundo, policiais militares são atacados com fuzis de Primeiro Mundo, mas a Polícia Federal vive sazonalmente altos e baixos. Está mais do que na hora de tornarmos a PF um FBI, com orçamento próprio, pois, como diz quem entende, uma operação policial tem o tempo dela e não pode ficar à mercê de bondade ou de caridade.


Joao Camargo democracia.com@estadao.com.br 

São Paulo


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CORONEL TELHADA


É absolutamente incompreensível o movimento interno do PSDB pedindo a reconsideração da indicação do deputado coronel Telhada para a Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). Tudo o que o coronel Telhada fez na sua vida até hoje foi justamente defender os seres humanos e seus direitos – seres humanos de bem, que fique claro! Telhada teve 254 mil votos e foi o segundo candidato mais votado do Estado. Além disso, sua votação também demonstra quão significativa é a preocupação da população com a segurança pública e com a defesa do cidadão de bem. Os que reclamam a ida de Telhada para a CDH, são aqueles que, apesar da idade, estão com o espírito revolucionário da década de 1970 enrustido dentro de si e os mais jovens, baseando-se no “manual ideológico dos Direitos Humanos”, que reza que o perfil de Telhada “não é adequado” nem discutem o porquê.


Frederico d’Avila fredericobdavila@hotmail.com

São Paulo


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PRÊMIO PERSONALIDADE DO ANO

 

A presidente Dilma, como sempre incapaz de reconhecer méritos no ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, quebrou uma tradição de 47 anos e, pela primeira vez, um presidente da República não reconhece nem manda mensagem de congratulações à “personalidade do ano”, apontada pela Câmara Brasil-EUA em 2015, no caso, Fernando Henrique Cardoso. 


Arnaldo de Almeida Dotoli arnaldodotoli@hotmail.com

São Paulo


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COMPROVADO


Sônia Racy comentou que Dilma Rousseff quebrou uma tradição de 47 anos ao não enviar mensagem de congratulações ao ex-presidente Fernando Henrique. É uma reação típica dos petistas: inveja, ciúmes e falta de educação. Já presenciei este tipo de atitude, por parte deles, inúmeras vezes em minha vida.


Luiz de Oliveira Carvalho Netto luizcarvalho@vence.com.br

São Paulo


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VAGABUNDOCRACIA


No Brasil, nunca foi tão desanimador vencer na vida. Pagar uma escola particular significa menos chances no ProUni. Se você conseguir construir uma boa casa, será castigado pelo IPTU, se conseguir comprar um carro melhor, o IPVA mete-lhe a faca. Se você abrir uma empresa, além de pipocarem impostos e taxas de todo o lado, a luz e a água ficam mais caras e você ganhará muitas dores de cabeça com direitos trabalhistas, indenizações, sindicatos, fiscais, etc. Nem ser funcionário público compensa mais. Você só sobe de cargo por anos de serviço e nunca chega aos cargos de chefia, pois estes estão reservados para os políticos e seus apadrinhados. Talvez seja melhor você entrar para algum sindicato ou movimento social. Assim você mama em verbas públicas, não presta contas a ninguém e pode fazer o que quiser. Agora, se você for famoso e conseguir se eleger, aí, sim, tirou a sorte grande.


Joao Carlos Melo jca.melo@yahoo.com.br

São Paulo

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